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The Beginning

"People should learn that you cannot dwell in your past. One who dwells in the past hurts not only himself, but also the people around them."


Black Rabbit

Kawasumi Shana. 25 anos, somando +1 todo dia 07 de Fevereiro. Aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

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Farewell

 
Hishoku no Sora
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Resenha: The Babadook
O Halloween está chegando, e nada melhor que ir entrando no clima do terror e das trevas, não é mesmo?
Embora eu tenha dito diversas vezes aqui que eu odeio filmes de terror, a resenha de hoje é justamente desse gênero. O mundo é esse lugar maravilhoso onde as coisas mais loucas acontecem, não é mesmo? Mas acalmem-se, para tudo há uma razão: o filme foi exibido no cine da faculdade, eu estava super curiosa quanto ao enredo graças à Erika - além de que uma professora que eu adoro e admiro muito foi a debatedora do filme, então eu precisava ir. Vejam bem, foi mais forte que eu.
Assistir a esse filme foi uma experiência de puro terror mesmo (já que eu sou cagona pra caramba), mas a história é tão, tão boa que eu preciso resenhar aqui pra vocês!


Ano: 2014
Direção: Jennifer Kent
Duração: 94min

Bom, The Babadook conta essa história de uma mãe solteira e seu filho, que tem uma série de problemas comportamentais. Amelia é mãe solteira, e o garoto, Samuel, parece ter um medo de monstros bem fora do comum, o que transforma a vida dela em um inferno - o guri dá problemas na escola, não dorme e consequentemente não deixa sua mãe dormir, entre uma série de outras coisas. Na tentativa de acalmá-lo, ela costuma ler livros pra ele antes de dormir, contudo, a situação parece sair ainda mais do controle quando eles encontram um livro infantil chamado "The Babadook", com umapegada meio assustadora.
The Babadook não é o tipo de terror que abusa de imagens fortes e músicas típicas - na verdade, não é um filme onde você fica levando susto o tempo todo, ou onde morre gente o tempo todo. Trata-se de um terror psicológico, e se encaixa tão bem no gênero que não tem outra expressão pra descrevê-lo. Os movimentos da câmera, jogos de luzes e ruídos dão todo um aspecto de realidade ao filme, e eu diria que isso assusta mais do que ter um monstro transfigurado matando adolescente numa casa ou sei lá. Conforme o tempo passa, a situação vai ficando desesperadora, e você se vê em desespero, sem se mexer ou respirar. É o típico filme pra te deixar sem dormir (ou, ao menos, olhar com outros olhos pra ruídos dentro do guarda-roupa ou e baixo da cama).
A partir daqui, teremos spoilers. Eu sempre evito, mas dessa vez achei necessário.
Quando a Erika resenhou (e quando eu disse pra ela que assisti), ela me disse que odiou o Samuel - e eu acredito que ele seja bem insuportável mesmo. Mas analisando o filme do ponto de vista psicológico, The Babadook ilustra uma coisa: a loucura da Amelia, que acaba se refletindo no filho enquanto ela tenta parecer uma pessoa normal na sociedade normativa. Segundo minha linda professora, o Babadook na verdade é esse luto não elaborado, muito sofrido, da personagem, que toma a forma de um monstro que ela precisa enfrentar - e no fim, ele continua não-elaborado ao término da história, pois ela o coloca "no porão" da casa (que podia muito bem ser uma analogia da mente dela, então imaginem o drama).
Outra teoria que minha professora trouxe, e eu achei fantástica, é que a Amelia é escritora de livros infantis. Então, muito provavelmente, foi ela mesma quem escreveu o livro, ele não "apareceu" na casa. Mesmo no momento em que o livro reaparece na porta, todo colado, e conta a história que vai se desenrolar, podemos facilmente identificar os desejos da personagem ali. Se eu fosse analisar isso, eu diria que essas coisas "sem explicação" acontecem durante seus surtos psicóticos - que ela, claro, não lembra, então eles obviamente não aparecem.
No fim, o personagem chave do filme acaba sendo o Samuel, que tem a função de conter a mãe em sua loucura - e no fim, ele faz isso o tempo todo, mesmo nos seus momentos de birra. Eu percebo a Amelia como uma pessoa apagada, em transe, que se desliga da vida, e é o Samuel quem a faz agir, fazer alguma coisa, ainda que seja chorar pro médico e pedir remédios pro garoto dormir. Isso só fica claro quando o Babadook chega na casa, e Samuel tenta salvá-la o tempo todo - quando ele diz que vê o Babadook e pede pra mãe "não deixá-lo entrar", ele está nitidamente se referindo a esse luto, essa depressão, esse monstro que já está dentro dela e o garoto está realmente tentando salvá-la. Mesmo nos momentos finais, quando ele aparece com todo um arsenal e faz umas loucuras pra tirar o Babadook da mãe, isso é nitidamente a forma que ele aprendeu a amar e proteger alguém - gente, o garoto tem problemas, mas ele tem uma mãe psicótica. Eu não esperaria menos.
Aqui os spoilers acabam. Por fim, eu quero destacar a atuação absolutamente incrível dos atores principais que, meu deus, é um show à parte. Tanto o garoto que interpreta o Samuel quando a mulher que faz Amélia conseguem fazer caras, bocas, expressões e gestos que contribuem para a montagem do filme, e acho que outras pessoas não teriam encarnado isso melhor. Pra terminar, eu - por mais absurdo que isso soe pra vocês, e está soando pra mim, eu garanto - recomendo o filme pra todos que curtem uma história angustiante e assustadora - ou para aqueles que querem dar uma espiadinha nos terrores que habitam a mente humana em situações desesperadoras como a do filme, porque garanto pra vocês que é bem assim que funciona. 

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Written by Shana | 25 de outubro de 2015 | 3 Comentários | link to this post


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