invitation
Saudações, visitante! Neste momento, você se encontra no Hishoku no Sora, um blog pessoal sem fins lucrativos. Aqui se fala de tudo um pouco, então fique à vontade!
A versão atual é inspirada no filme Corpse Bride, de Tim Burton - estrelando a protagonista Emily ♥

something blue
Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

something borrowed


Follow

something new

something old

you may kiss

 
Hishoku no Sora
Google Chrome | 1366x768
Às vezes eu preciso desabafar mesmo...

Quando alguma coisa fica muito "em alta", eu não sei vocês, mas ela me sufoca um pouco. É como se você tivesse que olhar pra ela o tempo todo, porque ela está em todo lugar, e a única maneira de ficar longe disso é se escondendo embaixo da sua cama. Por isso, eu não gosto muito de chover no molhado. Não gosto de falar sobre o que está em alta entre as pessoas, porque se você quer falar sobre isso, basta ir a qualquer site de notícias, rede social ou rodinha de amigos que o assunto vai eventualmente aparecer. Ninguém - inclusive eu - precisa do meu ponto de vista sobre o assunto. E embora eu goste do blog como um lugar animador, às vezes eu preciso chover no molhado e falar sobre o que todos estão falando, porque eventualmente eu estou falando sobre algo que acontece comigo.
Fazem cerca de 12 anos que eu lido com uma tristeza e um desanimo que a gente pode chamar de depressão. Infelizmente, pra mim, ela é um pouco tumultuada por pensamentos e desejos suicidas, e embora façam uns dez anos que eu não me coloco em qualquer risco, é uma coisa que passa pela minha cabeça diariamente, sem que eu possa realmente evitar. Eu acho que é como uma porta que você abre um dia e, embora você possa fechá-la e trancá-la, as chaves ficam sempre no seu bolso. Uma vez que você vai até esse lugar, você não precisa mais voltar, mas você sabe como ele é. Você sabe o caminho, e às vezes se pega pensando nele.
Por um bom tempo eu tive um objetivo que me manteve seguindo em frente, e desde a minha colação de grau eu sinto que ficou esse grande vazio. Eu não tenho mais pretensões. Eu não tenho outros sonhos que eu queira perseguir - alguns desejos aqui e ali, mas nada que faça valer a pena levantar da cama. E é basicamente por isso que eu tenho participado menos de projetos, postado menos no blog e socializado menos com os amigos da blogosfera - porque tem dias que eu sequer saio da minha cama.
Eu durmo, acordo, bebo água, levando pra comer se não tem nada que eu tenha trazido por quarto - porque sim, eu tenho água e comida ao lado da cama, pra não precisar sair dela. E se fosse só a minha preguiça de sempre eu não me incomodaria, mas eu sei que não é e às vezes me assusta. Às vezes eu me pego sem nenhuma energia no meu corpo pra sequer me manter sentada. Às vezes eu só fico na cama, no escuro, olhando pro teto até as cinco da tarde, quando preciso levantar pra fazer o jantar. Os dias são um pouco mais fáceis quando eu tenho alguma tarefa pra fazer, mas eu tenho sempre essa noção muito clara de que se eu estivesse morando sozinha, sem um emprego, nada ia me tirar do colchão.
Isso me assusta.
Não ter vontade de viver me assusta. E eu me vejo fazendo planos, projetos, rascunhos de postagens, escolhendo novos livros pra ler na prateleira e abandonando tudo isso pela metade porque eu não tenho energia pra continuar até o final.
Nem todos os dias são ruins, no entanto. Tem dias que algo parece me animar e eu consigo terminar um dorama, um reality show, escrever algo, ler uma fanfic de 10 capítulos num dia só. Tem dias em que eu levanto cedo, saio pra caminhar, passo pano no chão e lavo três máquinas de roupa. Tem dias que eu termino cansada e feliz porque fiz algo. E daí, no dia seguinte, eu não tenho vontade de fazer absolutamente nada.
O que eu tenho tentado mais é não me sentir culpada mesmo. Não sentir que tenho a obrigação de fazer algo, não me sentir um completo fracasso por estar desanimada. Tentar acreditar um pouco em mim mesma, de que é só a "deprê pós faculdade", "se acostumar com a nova rotina" e que tudo isso vai passar assim que eu arrumar um emprego. Mas eu continuo escutando o tilintar das chaves no meu bolso, e eu sei que não é só muito tempo livre. Eu tenho uma lista imensa de coisas com as quais eu podia preencher as lacunas, e eu só não consigo. Eu nem converso muito sobre com as pessoas, porque como eu disse no começo: eu não gosto de chover no molhado. Eu não quero mais ouvir que é uma "fase", pela qual "todo mundo passa quando se forma" e que "logo, logo isso passa". Eu não quero mais generalizar meus problemas como se eles fossem se resolver num passe de mágica.
Mas é isso. É isso que tem acontecido, e quando eu digo que é uma luta diária, é de verdade. Eu realmente preciso brigar comigo mesma e me jogar da cama pra conseguir sair dela, de vez em quando. Eu realmente escrevo rascunhos de postagens pra cada uma das coisas que eu comento que "vou falar mais sobre depois". Eu realmente faço listas e eu realmente tento ter vontade de assistir e ler o que as pessoas me indicam. É só que, às vezes, não dá. E "às vezes" é na verdade "na maior parte do tempo". Eu estou deprimida e nem sempre tem remédio pra isso. E embora eu tenha começado a terapia, é sempre um processo lento, doloroso e difícil de lidar. E tem dias que eu me pergunto o que eu estou fazendo ali, naquela sala, falando de coisas com as quais eu não me importo realmente. Falando o que eu acho que minha terapeuta quer ouvir e, quando ela me diz que não é isso que ela quer, eu não tenho muito mais pra dizer.
Eu vou vivendo um dia de cada vez. Literalmente. Conseguir acordar é uma vitória.
E na maior parte do tempo, eu só estou tentando não tentar demais. Really fucking hard not to try so hard.

Marcadores:


By Shana • quarta-feira, 9 de agosto de 2017 • 6 ComentáriosLink to this post


«older newer»