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Hishoku no Sora
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Kawasumi Shana. 25 anos, somando +1 todo dia 07 de Fevereiro. Aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

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Hishoku no Sora
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Bruxas do 31 | Uma história brasileira
20.10.17 • 3 ComentáriosPermalink


Maldições à todos, jovens e desgraçados mortais. Espero que vossa semana tenha sido horrorosa e que os seres do submundo tenham lhes pregado as peças que merecem - se não, fiquem tranquilos, logo eles vos visitam.
Eu tive alguns acontecimentos interessantes nesta semana! Contudo, nenhum deles foi assombrado, sinto lhes informar, então não é nada que mereça atenção nesse Bruxas do 31. Assim, continuemos com nossa programação normal, porque é isso que interessa.
Ainda na vibe de contação de histórias, nosso tema para a terceira semana é o folclore brasileiro. Embora o Halloween seja uma celebração tipicamente estrangeira, nada nos impede de lembrar da magia e dos terrores brasileiros - afinal, nós somos herdeiros de tribos muito místicas e que respeitavam, temiam ou meramente acreditavam em uma série de entidades espirituais. Isso tudo somado à criatividade do povo brasileiro, principalmente das regiões interioranas, deu muito pano pra manga: nossa cultura nunca ficou sem respostas pra nada, o que gerou uma série de lendas, personagens e histórias folclóricas pra contar.
Hoje, eu vou contar pra vocês a história do Anhangá, uma entidade das florestas brasileiras. Sigam-me os que tiverem coragem!


Anhangá, o protetor da natureza

O Anhangá é um ser mítico do folclore indígena brasileiro, mas especificamente da área amazônica. Há algumas origens pra esse ser - em alguns lugares, diz-se que o povo Tupi denominava "anhangá" todos os espíritos desencarnados que ficavam presos no plano terreno, atormentando aos vivos enquanto vagavam pela terra. Em outros, que é um espírito protetor da natureza, em especial dos animais selvagens, que vaga pela floresta principalmente à noite. Os jesuítas narram, em suas cartas, que os índios tinham muitíssimo medo do Anhangá, e que jamais saíam à noite sem alguma luz pra guiar o caminho, temerosos de encontrarem "o diabo".
Pesquisando, descobrimos o seguinte: primeiramente, os índios não necessariamente temiam o Anhangá. Parte dessa crença de que a entidade seria demoníaca vem da catequização da cultura indígena, e parece que os historiadores e pesquisadoras da época se confundiam muito quanto ao real nome do bicho. Assim o Anhangá é, na verdade, o deus da caça  e do campo. É o seu papel proteger os animais da caça indiscriminada, sem fins de necessidade. Ele protege principalmente os filhotes e mães que ainda estão amamentando. Conta-se que sua presença é anunciada por uma espécie de assobio, e que quando o caçador olha de novo para sua presa, ela desaparece de vista, ou ainda que seu assobio é tão estridente que os animais se assustam e correm para a mata - como se o Anhangá as avisasse do perigo, acredito eu.
Dizem alguns que é possível fazer acordos com o Anhangá, oferecendo-lhe tabaco em troca de uma boa caça. Imagino, então, que se trate de um protetor da natureza no sentido de manter o equilíbrio e o ciclo da vida na mata: pequenos filhotes e fêmeas que estejam amamentando fariam grande falta para a fauna e para o ambiente, mas algumas caças são concedidas em prol da sobrevivência dos seres que ali vivem, como as tribos indígenas.
Quanto a sua aparência, o Anhangá é frequentemente retratado como um veado branco, de olhos em chamas. É, contudo, um espírito metamorfo, podendo se transformar em outros animais e até mesmo em ser humano. Aparentemente, pra cada forma tomada, há um nome diferente - mira-anhanga seria a forma humana, por exemplo, e suaçu-anhanga sua forma de veado. Apesar disso, alguns lugares traduzem a palavra "anhangá" como "espírito", então não sei dizer se tais nomes referem-se exclusivamente a essa entidade.
Outra curiosidade: em São Paulo, temos o Vale do Anhangabaú, uma região onde anteriormente ficava o Ribeirão Anhangabaú, hoje canalizado. O ribeirão foi conhecido como Córrego das Almas, mas também era tido pelos índios como "O rio do mau espírito", pois acreditavam que sua água trazia malefícios. Em parte, esse nome pode vir de uma possível falta de saneamento da água, que portanto poderia causar várias doenças, mas é possível que o nome tenha vindo também do Anhangá, visto que alguns relatam a crença dele ser um "espírito maligno". Teodoro Sampaio afirma que, para os índios, o ribeirão era um bebedouro de assombrações, e que suas águas traziam malefícios ao corpo e ao espírito. Como essa teoria vem da ideia de que o Anhangá é um ser maligno, e aparentemente isso não é verdade, não sei ao certo se o ribeirão foi batizado graças a ele ou não.  
Por fim, dizem que o Anhangá ainda percorre as florestas amazônicas, e que é possível vê-lo em noites de lua cheia, ou se você passar por algum lugar mal-assombrado. Dada a sua natureza de protetor dos animais e do equilíbrio da vida, pessoalmente acredito que sua presença em lugares mal-assombrados seja para a proteção, para avisar aos vivos que ali passam que não devem se aproximar. Vai ver o Anhangá só seja maligno pra quem assim o merece...

Fontes


Encerramos assim nossa história de hoje. Como já é tradição do Hishoku, no Hallowen nós não falamos só de gostosuras e travessuras, mas também de como as histórias e tradições dessa data foram criadas - e há sempre, claro, espaço para cultura e o misticismo brasileiros - e não tem como ser mais brasileiro do que falar do folclore indígena, né non? uwu~ Por fim, quero saber: conheciam o Anhangá? Já ouviram falar de algo parecido? Folclore não é só Curupira, Iara e Mula-sem-cabeça, embora sejam estes que a gente costuma estudar no ensino infantil e no primeiro ciclo de fundamental, então fica aí o convite a todos os leitores pra descobrirem mais das nossas lendas e seres místicos! <3 Espero que tenham gostado da história e que não estejam com tanto medo, porque o pior ainda está por vir... MUAHAHAHAHA!
Que as almas penadas puxem vossos pés à noite, que os horrores assombrem seus sonhos e que as trevas caiam sobre vocês, pobres mortais! Até a próxima~ 

Esse post faz parte do projeto Bruxas do 31. Para saber mais, clique aqui! Visite também o Kakumei Blog para acessar a outra postagem sobre o tema.

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