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Kawasumi Shana. 25 anos, somando +1 todo dia 07 de Fevereiro. Aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

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Hishoku no Sora
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Blogagem | Sobre a Psicologia

Saudações, queridos leitores! Voltei mais rapidinho dessa vez (e estou orgulhosa de mim mesma, devo ressaltar). Será este o post que irá vencer a maré de sumiço desta que vos fala? Aguardem os próximos capítulos, jovens leitores, porque o assunto de hoje é profissões - mais especificamente a minha profissão, a Psicologia!
Tirando minha homenagem ao projeto no mês passado, fazia já um tempo que eu não participava de nenhuma blogagem temática do Together. Esse mês, contudo, o tema foi sugerido por uma usuária e eu achei bem relevante: muitas vezes a gente escolhe uma carreira, profissão, área pra trabalhar e, quando chega lá, descobre que não é bem como a gente pensava. Daí, a ideia era que todos falássemos das nossas profissões, pra ajudar quem está nesse momento de escolha e desmistificar algumas coisas também. Aqui no Brasil (e talvez em outros lugares do mundo também), a Psicologia é muito conhecida, mas pouco se sabe de verdade sobre ela - muito do que as pessoas conhecem provém do senso-comum, e tem muito mito, muita ideia errada e muitas ilusões também. Assim, mais uma vez venho aqui pra falar de psicologia nesse blog (e um pouquinho de vida universitária também, por que não?)
Aqui no blog eu já fiz dois posts legais pra quem está pensando no assunto: esse, sobre orientação profissional, com algumas dicas de como escolher uma profissão ou carreira, e esse, sobre psicologia e psicoterapia, pra desmistificar algumas coisas. Hoje a ideia é tentar falar um pouco da profissão e do curso num geral. Venham comigo, jovens padawans!



O que é e pra quê serve a Psicologia?
Vamos começar logo com a pergunta mais difícil. Ouso dizer que nenhum psicólogo consegue dar uma resposta objetiva, concisa e exata sobre o que é a psicologia em si e o que um psicólogo faz - em parte, porque a psicologia se inseriu em muitos espaços diferentes e chega um ponto no qual mesmo a gente fica meio confuso.
Na minha opinião, Psicologia é a ciência que estuda o ser humano, seus processos psíquicos e sua subjetividade, levando em conta questões sociais, culturais, históricas e do corpo/cérebro. Assim, tudo o que diz respeito ao ser humano pode dialogar com a psicologia: emoções, pensamento, células e neurônios, memória, fala, educação, trabalho, história, cultura, saúde mental, desenvolvimento, adolescência, estilo de vida, comportamentos, avaliação, diagnósticos, tratamentos, acolhimento, morte, vida, luto... Tudo, tudo o que envolver outro ser humano, pode virar objeto de estudo ou trabalho de um psicólogo.
É nesse ponto que precisamos levar em conta um detalhe na verdade importantíssimo: as diferentes abordagens dentro da psicologia.

Abordagens
Sim, são muitas. Para o paciente, a abordagem não faz muita diferença - ela é, basicamente, a teoria pela qual o psicólogo se orienta na sua prática. Um psicanalista, por exemplo, vai seguir a teoria da sexualidade e do inconsciente, enquanto um analista do comportamento vai se orientar pelos postulados da TCC (Teoria Cognitivo-Comportamental) ou do Behaviorismo. Os dois, contudo, podem tratar o mesmo tipo de distúrbio usando a mesma técnica, por exemplo: psicoterapia breve para tratar distúrbio de ansiedade.
O ponto é: enquanto profissional, você não é obrigado a escolher uma única abordagem, mas a gente sempre acaba pendendo pra uma área que nos interessa mais ou tem mais a ver com nossa prática. Depende do que você pensa sobre a psicologia e de com o quê você trabalha - não dá pra querer reproduzir o setting psicanalítico como está no livro se você está atendendo moradores de rua a céu aberto, por exemplo. Você pode, contudo, adaptar a teoria à sua prática (a psicanálise, ao menos, permite um pouco disso).
Embora ninguém precise escolher uma abordagem e seguir nela pra sempre, é importante saber, por exemplo, o que você quer estudar, pois muitas universidades costumam elaborar o currículo da graduação com ênfase numa área específica da psicologia.
Eu, por exemplo, fiz Unesp (Universidade Estadual Paulista), e nós temos psicologia em dois campi diferentes: Assis e Botucatu. O campus de Assis é mais focado em psicologia humanista (psicanálise) e social/crítica. Já o de Botucatu, tem mais variedade e trabalha com questões de neurologia e comportamento, por exemplo. Assis é um campus muito voltado para atuação crítica do psicólogo, então é muito bom pra quem quer trabalhar com clínica, SUS, políticas públicas, educação e psicologia social, por exemplo. Esse tipo de coisa ninguém explica e, embora exista uma formação generalista, é bom estar atento a isso antes de escolher onde estudar - se você quer trabalhar com memória, neurologia e farmacologia, por exemplo, seria melhor prestar Unesp Botucatu, e não Assis.
Apesar disso, ninguém sai especialista da universidade. A Psicologia hoje, no Brasil, tem uma formação generalista exigida pelo MEC, com conteúdos e carga horária mínimos, então se você não tem um objetivo ou foco muito claro para a sua carreira, pode entrar em qualquer universidade, conhecer as áreas e, depois, procurar as especializações na abordagem que te agradar mais.
Por fim, vale ressaltar que nenhuma abordagem te impede de trabalhar com  alguma questão específica. Algumas facilitam algum tipo de prática porque tem técnicas específicas pra isso, por exemplo, mas existe psicanalista que trabalha na Saúde Mental, existe psicólogo educacional que trabalha junto com a clínica, existe analista do comportamento que trabalha com RH e entrevistas; a abordagem é pra orientar o pensamento, e não pra ditar a prática.

Prática
Já falei disso acima, mas ressalto: onde tem gente, pode ter psicólogo. A gente pode trabalhar em consultórios particulares (clínica), prestando serviços a outros consultórios, em escolas, em hospitais, em postos de saúde, em ONGs, em projetos sociais, na polícia, nas empresas, nas ruas, em instituições das mais variadas e também em momentos específicos - por exemplo, quando acontece algum desastre, como desabamentos, quedas de avião, ou situações como o incêndio da Boate Kiss, terremotos e desastres naturais, é dever de todo psicólogo prestar assistência à sociedade - seja às vítimas, aos familiares e demais pessoas atingidas ou mesmo aos profissionais que estão atendendo a essas pessoas.
A prática, diferentemente da abordagem, é algo que você pode deixar pra pensar no final do curso, quando começam os estágios, ou ao longo dele, participando de projetos e pesquisas. Basta saber que dá pra trabalhar em muita coisa, com muita coisa, desde que caiba a sua ação naquele espaço/momento.

Conselho
No Brasil, nós temos o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e as sedes regionais, os Conselhos Regionais de Psicologia (CRP). CRP também é o número de registro do psicólogo, e todos nós precisamos estar registrados e com cadastro ativo junto ao Conselho da nossa região para atuarmos profissionalmente.
Precisamos pagar anuidade (que não é barata não senhor) e temos o compromisso ético de atuar segundo as normas e resoluções do Conselho, além de denunciar práticas ou profissionais que estejam atuando fora das normas. Nossa prática também deve sempre ser orientada pelos Direitos Humanos e os Conselhos (em teoria) estão sempre às disposição para tirarmos dúvidas, seja da nossa própria prática ou com relação à instituição/empresa na qual trabalhamos, colegas com práticas duvidosas e tudo o mais.
Eu, por exemplo, resido em São Paulo, e sou registrada na 6ª Região, no CRP-SP. O site do CRP-SP é esse aqui, e aqui é o do Conselho Federal. Se você tem intenção de escolher psicologia como carreira, o site do CRP-SP disponibiliza MUITOS materiais legais, cursos gratuitos na sede do CRP, vídeos, revistas, textos e muito mais no site deles, então é bem legal dar uma fuçada pra descobrir algumas coisas sobre a área.

Código de Ética
No Brasil, a profissão conta com um Código de Ética, que norteia e regulamenta a nossa prática. Você pode ler ele na íntegra clicando neste link.
É de extrema importância que todo mundo, não só o profissional da psicologia, tenha acesso ao código de ética, para que possamos garantir que todos os psicólogos que exerçam a profissão no Brasil ajam de acordo com os princípios éticos.

Investimento
Uma vez uma pessoa me disse: psicologia não é profissão de pobre. Não é mesmo.
Embora o curso em si seja de baixo custo se comparado a outras profissões, como arquitetura ou odontologia, a profissão em si é muito cara. Os congressos são caros, os cursos são caros, os testes psicológicos são caros, a anuidade do CRP é cara, psicoterapia e supervisão são caras e a gente não recebe um retorno muito justo em comparação ao que investimos. Em parte, porque nossa sociedade acha absurdo pagar RS 190,00 numa consulta de psicoterapia (valor sugerido pela tabela do CRP), mas ninguém sabe que a caixa de um determinado teste de psicodiagnóstico custa R$ 3.000,00, por exemplo. Ou que uma palestra de cerca de 3h sobre sexualidade (tema muito recorrente e importante nos dias de hoje) sai R$ 300,00. Ou que nossa anuidade é mais que R$ 400,00.
Nossa profissão não é barata, tenham em mente. A formação ainda é possível, mas se especializar, atuar e praticar, rapaz...

Psicólogo precisa fazer terapia?
Resposta: SIM. É obrigatório? NÃO.
Manter a sua saúde mental "estável" é dever ético do psicólogo - não tem como você estar deprimido, surtado, no meio de uma crise de ansiedade, e tentar acolher alguém. Você precisa acolher a si mesmo primeiro, e saber separar as suas questões das questões do outro. É por esse motivo também que a gente evita atender colegas de trabalho, familiares, amigos, vizinhos e pessoas próximas num geral, porque fica mais difícil separar as coisas. O psicólogo precisa manter uma neutralidade com relação aos seus sentimentos e sobre o que o discurso do paciente te causa. Precisamos estar prontos pra acolher pessoas que falam coisas com as quais não concordamos, ou que nos ofendem - pacientes machistas, racistas e homofóbicos, por exemplo, merecem nossa empatia como qualquer outra pessoa, independente do quão maus-caráter possam ser pra você. Da mesma forma, eu preciso manter a minha saúde mental e meu estado de humor o mais saudável possível antes de lidar com o outro - se eu acabei de perder um ente querido, por exemplo, não dá pra ir atender um paciente depois do funeral. É pura irresponsabilidade!
Não acreditem no mito de que todo psicólogo é saudável. Todo ser humano tem problemas, questões, afetos, traumas, medos... Isso é normal. Ninguém é 100% saudável e ninguém tem a cura de todos os males. Então é normal, saudável e comum que psicólogos façam terapia em algum momento da vida (ou em vários). Inclusive, a gente precisa se conhecer o suficiente pra saber quando é hora de voltar a fazer terapia, por exemplo - mesmo que já tenha recebido alta de um processo, isso nunca nos impede (nem psicólogo, nem ninguém) de começar um novo.
Fazer terapia não é obrigatório, mas se você é ou quer ser psicólogo, nunca fez e se recusa a fazer, os coleguinhas vão olhar feio pra você sim. Fica a dica.

Problemas...
Como toda profissão, a psicologia tem muitos problemas no nosso país. Alguns dos mais nítidos pra mim são os seguintes:
• Não temos piso salarial: não existe, hoje, uma regulamentação definida sobre a carga horária nem sobre o piso salarial do psicólogo. Existe uma proposta do CFP, que rola aí no congresso desde antes de eu me formar, de que nossa carga horária não deve passar de 30h semanais (6h por dia) e que o piso salarial deva ser em torno de 3.400, da última vez que eu chequei. Parece bom, né? O problema é que isso não está na lei, ou seja: se uma cidade fizer um concurso público para psicólogo, querendo contratar um profissional para trabalhar por 40h semanais para receber 970,00 por mês, eles podem. E em vista do investimento que eu citei ali em cima, já deu pra notar que esse valor não condiz com a nossa realidade, né? Felizmente, ao menos a carga horária sugerida pelo CRP tem sido respeitada na maioria das instituições e concursos - mas grande parte das empresas e instituições ainda prefere contratar psicólogos fora da CLT, para trabalhar de maneira autônoma, o que não nos garante nenhum dos direitos trabalhistas. Diz o sindicato que está na luta (eu, particularmente, não estou vendo muito avanço não...)
• As pessoas não sabem o que a gente faz: só sabe de verdade o que faz o psicólogo quem se formou na área, quem trabalhou com um ou quem acabou fazendo terapia ao longo da vida, por exemplo. Pouca gente entende o que é psicologia, pra quê ela serve, porque saúde mental é importante - e isso implica muito na nossa prática e no retorno financeiro também. Como eu disse acima, muita gente acha estranho ter que ir na terapia toda semana, ou pagar tão caro numa sessão, ou que o profissional não dê uma solução imediata em um mês. Nesse ponto, acho que tanto a nossa categoria quanto nosso conselho pecam muito: precisamos educar mais as pessoas, disseminar mais a informação de maneira clara, objetiva e acessível. A sociedade pode usufruir da nossa prática, mas ela precisa saber o que diabos o psicólogo faz. Essa vai ser minha eterna briga nessa profissão - isso, e as cartas de repúdio do CRP, que repudiam o mundo e não explicam nada pra ninguém.
• As mídias e o senso comum: recentemente, rolou aí uma novela na qual uma psicóloga fazia uma regressão numa paciente, que lembrava de um abuso e fazia uma denúncia. CHOVERAM pessoas procurando psicólogos que fizessem regressão, que eu sequer sei se é uma prática regulamentada pelo conselho federal. Muitas fantasias do senso comum e mentirinhas contadas pelas mídias, como livros, novelas e fanfics (é cada absurdo que eu leio, gente, que dói no coração) acabam criando uma ideia totalmente errada sobre o que um psicólogo faz, desaguando nas consequências que citei no tópico anterior. Por mais que nem todo mundo precise saber nomear todas as práticas psicológicas que existem, ninguém precisa pensar duas vezes antes de consultar um médico, um advogado, um arquiteto, um nutricionista: as pessoas sabem o que esses profissionais sabem, mesmo com as fantasias do senso comum. Agora, o psicólogo... Tá difícil, galera. Tá difícil.
• Os currículos de graduação variam muito: é muito comum que uma pessoa queira estudar coisas mais relacionadas a comportamento e caia num campus humanista, ou que peça transferência de uma universidade para outra e descubra que a nova não tem as áreas que deseja... Isso, meus caros, vale pra qualquer carreira e universidade, mas fica de novo a dica: olhem a grade curricular do curso antes de prestar. Psicologia é uma profissão com uma variedade imensa de abordagens e práticas e, se você quer atuar numa coisa específica, pode se arrepender se não checar antes.


Ufa! Esses são os pontos que eu acho que precisam estar mais claros pra quem pensa na psicologia como carreira. Vale ressaltar que os problemas que eu citei são problemas que eu costumo ver ou enfrentar, e outros profissionais podem pensar de maneira totalmente diferente. Sobre os conselhos, currículos, abordagens e práticas, contudo, é seguro dizer que é assim mesmo que funciona. Espero que esse post, de alguma maneira, sirva pra esclarecer um pouco sobre a profissão pra quem pensa em seguir nessa área - ou mesmo pra quem está formando, atuando ou só quer conhecer um pouco mais sobre a psicologia mesmo.
Enfim! Por hoje eu me despeço aqui - já tagarelei mais do que deveria (ou queria, sei lá). Beijinhos a todos e até a próxima!

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Written by Shana | 29 de julho de 2018 | 4 Comentários | link to this post


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