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Agosto: o mês que deu errado

Muita gente fala que Agosto é um mês eterno, que nunca acaba, que se arrasta, etc, etc, etc. Nunca foi assim pra mim; na minha vida, o oitavo mês do ano sempre foi de pura correria. A minha universidade sempre voltava da greve em Agosto, as coisas sempre precisavam ser resolvidas em Agosto - relatórios, renovações, estágios, semestres... Na minha vida, o mês interminável sempre foi Setembro - ô mês ingrato do inferno.
De qualquer maneira, Agosto pra mim sempre foi um mês ok. Passava despercebido, quando não envolto pela correria do dia-a-dia. Nunca me importei muito com ele e nunca entendi o ódio que as pessoas guardam do coitado.
Aí veio 2018.
Agosto de 2018 foi um mês que deu errado desde o começo, e a onda de catástrofe foi se arrastando até o final desse bendito. Se acham que é exagero, tenham calma: eu tenho provas.

Primeiramente fora temer, meu mês começou com a reforma do meu quarto. Desde dezembro, eu e minha família temos arrumado nossa casinha aos poucos, pintando um cômodo por mês, trocando os móveis mais antigos conforme a renda nos permite. As reforminhas dão um pouco de trabalho, porque nosso apartamento é pequeno e nossos móveis antigos eram todos enormes - o que impediu meus pais de tomarem coragem pra mover os móveis e pintar as paredes de novo por anos. Há uns 3 ou 4 anos, eles chegaram a arrumar algumas rachaduras e vazamentos com massa corrida, mas não tinham o inve$timento necessário pra retocar a pintura na época. Dessa forma, eu e meu irmão resolvemos fazer tudo da melhor maneira possível, e temos lixado, limpado, retocado rachaduras com massa e pintado cada cômodo - cada um saindo melhor que o outro, num clássico caso de prática que leva à perfeição.
Problema: precisamos de espaço pra tudo isso. Moramos num apartamento minúsculo. O que fazer com os móveis?
Aproveitando a repaginada da casa, temos juntado dinheiro pra trocar os móveis (alguns já tinha cerca de 20 anos com a gente, então por mais que estivessem de pé e funcionais, já tinha passado da hora de aposentá-los). O que a gente tem feito até então é: compramos os móveis, e durante o período de entrega nós doamos os velhos, arrumamos o cômodo, pintamos e montamos os móveis novos. Um belo plano, né non?
Insira [Agosto de 2018] na equação.
Nesse mês, esperávamos receber a primeira parcela do décimo terceiro da pensão do meu pai, e pesquisamos ávidamente móveis que coubessem nesse orçamento. Como o governo havia liberado a grana em Agosto - segundo notícias -, nos organizamos totalmente pra começar a bagunça nesse mês. Foi aí que surgiu o primeiro problema: a parcela foi liberada. O dinheiro, contudo, só vai ser depositado aos pensionistas em setembro.
Como já havíamos combinado uma data com a pessoa que ficaria com os móveis antigos, decidi passar tudo no cartão de crédito - e foi assim que, no dia 10 de Agosto, comprei os móveis pela internet (por enquanto, só uma beliche e um guarda-roupa, que parcelei em 10 vezes porque vai que dá errado de novo, né?). Considerando que já tinha comprado nessa distribuidora e chegou bem rápido, concluí que em 15 dias mais ou menos tudo estaria ok. Nem considerei a previsão de 26 e 29 dias que o site tinha falado, porque né? Tão raro demorar tanto assim. No final de semana, já fomos até a loja escolher a cor e comprar o que precisávamos pra lixar as paredes e cobrir as rachaduras mais fundas.


Como eu sempre quis que meu quarto fosse azul (e já usamos rosa e verde na casa), eu e meu irmão conversamos e fuçamos o catálogo até encontrar um tom que ambos gostássemos. Acabamos ficando com o Letras Musicais, da Coral. Escolhemos um tom clarinho (que nós apelidamos de 'branco azulado') porque o chão de casa é escuro e os móveis que escolhemos também, então queríamos algo que não ficasse muito trevoso, se é que me entendem.
Cor escolhida, tinta comprada, voltamos pra casa e começamos a trabalhar. Levamos acho que umas duas ou três horas pra tirar o pó que estava acumulado, arrancar todas as prateleiras, lixar as paredes e cobrir todos os buracos e rachaduras. Tudo isso feito, forramos o quarto com jornal e colocamos a mão na massa (de novo. Não que a gente tivesse parado).

Favor reconhecer minha habilidades artísticas

Começamos a pintar o quarto de fato por volta das 18h - ressaltando que no mesmo dia tínhamos: 1) ajudado a desmontar e carregar os móveis velhos; 2) saído pra comprar os materiais necessários; 3) tirado todo o pó e limpado o quarto mais ou menos pra facilitar o trabalho; 4) lixado as paredes; 5) passado pano pra tirar o pó de todo o quarto e 6) passado massa em buracos e rachaduras. Pois a ansiedade era tamanha que, por volta de 1h30 da manhã, nós terminamos completamente a pintura do quarto. Recolhemos os jornais e o lixo, e deixamos tudo pronto pra fazer a limpeza mais pesada no dia seguinte. Segue o resultado de nosso trabalho árduo:

No fim o tom ficou mais intenso, mas a gente adorou mesmo assim

No outro dia acordamos mais tarde, e fizemos uma senhora faxina - aspiramos, lavamos o chão (o que foi bem louco, porque eu jogava água com desinfetante, esfregava com a vassoura e meu irmão já corria secar com pano pra não manchar a madeira) e enceramos. Voltamos nossos colchões e tranqueiras para o quarto, e depois saímos pra comprar algumas coisinhas pra decorar - varão pra colocar uma cortina, uma lanterninha japonesa pra colocar na lâmpada e compramos alguns ganchinhos divertidos pra poder pendurar algumas coisas. Tudo lindo né? Agora era só esperar os móveis chegarem, o que deveria ser bem rapidinho considerando minhas experiências anteriores.
Ai, que inocente que eu sou, né?
Segue o segundo grande problema de Agosto: passados 15 dias da compra, nem sinal dos móveis. Fui checando diariamente o andamento do pedido no site e no aplicativo da distribuidora, e nenhum deles sequer estava no transporte. Já preocupada, decidi fazer contato com as empresas responsáveis pelos itens.
Uma me respondeu educadamente, explicando todo o procedimento de transporte, e me disse que tentariam acelerar o processo o máximo possível para o meu conforto. Já a outra, nossa - praticamente me chamou de burra por estar fazendo contato antes dos 20+ dias combinados no ato da compra.


Moral da história: dia 10 faz um mês que estou dormindo no chão, e que minhas coisas estão espalhadas em todos os cômodos da casa, porque não temos onde guardar. Até nossa mesa de jantar está ocupada, e se eu não usasse um notebook provavelmente estaria privada de internet.
Trágico o suficiente pra vocês? Pois calma, calma que vai piorar.
Como disse, parcelei os móveis, mas eu e meu irmão compramos os materiais e outras coisas com nosso dinheiro mesmo. Eu estava bem tranquila, porque dia 15 recebia meu salário e minhas contas são todas para o final do mês, justamente por isso.
Deu dia 15. Nada do salário. Fiquei na minha.
Na outra semana, já no dia 20, perguntei sobre o pagamento e sem saber dei início ao terceiro problema de Agosto: minha chefe resolveu me pagar em cheque. Tá, eu tinha contas pra pagar, tinha que carregar meu cartão do ônibus pra ir trabalhar, mas tudo bem - perguntei pra minha mãe como fazia pra depositar um cheque e corri no banco antes do trabalho no dia seguinte. Como o cheque era do mesmo banco que minha conta, até o final do dia o dinheiro deveria cair.
Não caiu ao final do dia. E nem no dia seguinte. E pasmem: quando deu meia-noite, abro o app do banco pra me deparar com meu saldo negativado, no valor do meu salário.
Se eu me desesperei? MAS É CLARO QUE SIM


Respirei fundo, tentei me acalmar e fui dormir. Não conseguir dormir - então saí cedo da cama, liguei no SAC do banco e me informei: o problema é que, embora eu tenha depositado o cheque na minha conta, e colocado minhas informações no verso, eu não tinha escrito meu nome nele.
Porque sim, em pleno 2018, escrever meu nome à mão em um cheque certamente previne qualquer tipo de fraude e a falta dele, obviamente, impossibilita o banco de depositá-lo na minha conta. Que é do mesmo banco. E estava escrita no verso do cheque.


Ok. Orientada pela moça do SAC, lá fui eu na agência onde havia feito o depósito - era só ir lá, pegar o cheque, escrever meu nome e depositar de novo, tudo certo. 40min de espera depois, fui ao caixa e expliquei a situação pra moça. Ela, educadamente, me explicou que como o cheque havia sido devolvido, ele foi enviado para a minha agência,e não estava mais ali.
A minha agência.
Que fica a fucking 400+ km de SP, em Assis.


Porque o banco não pode se abster de certas burocracias, mas nada disso o impede de enviar meu cheque para outra cidade em menos de um dia, porque né, é procedimento, senhora. Pra me ajudar, a agência de lá poderia me enviar o cheque por malote, pra que eu retire em outra agência mais próxima. O que tem o prazo de 10 dias úteis. 10 dias úteis pra devolver o cheque que eles conseguiram despachar em 1 dia de uma cidade à outra.


No fim, expliquei a situação para a minha chefe, que acabou por depositar meu pagamento direto na minha conta. O cheque? Tá em Assis, esperando eu conseguir fazer contato com a agência de lá e pedir, educadamente, se podem me enviar o cheque por malote, pra que eu devolva pra dona. Na pior das hipóteses, eu preciso ir lá retirar pessoalmente.
#Oremos
Depois de todas essas tragédias, o mês terminou relativamente tranquilo - desconsiderando os pequenos estresses do dia-a-dia, como minha mãe com a pressão subindo a 16,8, ou uma paciente minha que queria exigir um documento antes que eu terminasse a avaliação dela, ou meus primos fazendo militância pró-bolsonaro nos grupos de família do whatsApp...
Em suma: Agosto passou voando, mas pra mim já vai tarde. Foi um tombo atrás do outro e eu não me sinto preparada pra muitas outras emoções depois de todo esse drama - o que na verdade nem deveria ter me surpreendido, porque esse mês é um caos na minha vida desde a primeira greve que enfrentei, em 2013.
Pra não dizer que tudo deu errado, pelo menos algumas boas notícias eu recebi: na quarta, fiquei sabendo que meu porquinho da Índia está pra receber alta da veterinária, e na segunda fui informada de que meu guarda-roupa novo já está na transportadora - o que quer dizer que ele pode chegar em casa antes do prazo inicialmente estipulado inicialmente, que era 21 de Setembro. Também consegui comprar algumas coisas que estava precisando com desconto, e hoje mesmo eu risquei mais um item da minha wishlist - mas eu falo mais disso depois. O ponto é: Agosto foi um mês que deu muito errado, e quase não deu pra salvar.
O ponto positivo é: eu sobrevivi. Que venha Setembro!

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Written by Shana | 31 de agosto de 2018 | 5 Comentários | link to this post



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