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Halloween: contos reais e macabros

Maldições, pobres mortais!
O Bruxas do 31 se encerra, mas o Dia das Bruxas ainda merece uma celebração única e especial!
Neste mês nós já reunimos receitas, compartilhamos medos, elaboramos trilha sonora e executamos feitiços para nos alimentar - o que é que falta? É claro: histórias de terror! Para celebrar o dia mais especial desse mês bruxesco, eu separei 3 lendas urbanas daqui de São Paulo pra contar pra vocês. Estão prontos?

Boys and Girls of every age, wouldn't you like to see something strange?
Come with us and you will see!
THIS IS HALLOWEEN, THIS IS HALLOWEEN!

A "Caronista"
Existe, aparentemente, uma lenda sobre uma jovem que anda de táxi pelas ruas paulistanas. De acordo com algumas versões, a moça pega o táxi próximo a um cemitério, pede que o motorista dê algumas voltas pela região e, por fim, desce no mesmo local onde iniciou a viagem. Ao final da corrida, pede ao taxista que vá receber o dinheiro na casa de seus pais, e lhe passa o endereço. Quando o motorista chega ao local, descobre que, de fato, havia uma menina que morava no local - e que já morreu há muitos anos.
Há uma outra lenda parecida na cidade de Curitiba, que conta que uma jovem loira pedia corridas aos taxistas da região central rumo a um cemitério da cidade. Ao chegarem ao destino, a moça desaparecia - dizem que a jovem fora estuprada por um taxista e seu corpo foi abandonado no dito cemitério e, desde então, ela os assombra.
Eu heim.
O Castelinho da Rua Apa

História verídica, o Castelinho da Rua Apa é hoje patrimônio histórico da cidade de São Paulo. Trata-se de uma construção do século XX (1912), e pertenceu a uma influente família paulistana até 1937 - data na qual ocorreu a tragédia que deu origem à lenda urbana envolvendo o local.
Inspirado nos moldes franceses, o "castelinho" fora construído pela família Reis, composta então por Virgilio Guimarães dos Reis, sua esposa Maria Cândida Guimarães e dois filhos homens: Álvaro e Armando Guimarães Reis. Foi no dia 12 de Maio de 1937, dois meses após a morte do patriarca, que se deu a tragédia.
De acordo com a polícia da época, os dois irmãos haviam discutido entre si e, no calor do momento, trocado tiros entre eles. A mãe, na esperança de apartar a briga dos filhos, acabou também baleada, e a briga teria levado os três à morte - o típico drama da família de classe média-alta de antigamente.
Contudo, observando as fotos do local do crime, é possível perceber que os corpos estão em posições muito bizarras, não condizentes com o discurso da polícia. Não vou postar as imagens aqui, mas os corpos da mãe e de um dos filhos estão, por exemplo, jogados paralelamente entre uma porta entreaberta - deitados como se tivessem ido dormir em tal posição. Ou será que foram movidos? Somado a isso, entra o fato de que as balas encontradas no corpo de Maria Cândida eram de um calibre diferente das armas dos filhos - o revólver usado, contudo, nunca foi encontrado.
O mistério nunca foi solucionado, virando até livro em 2015 (KIEHL, L.C. O Crime do Castelinho: Mitos e Verdades), onde aparece teoria de que, na verdade, o caso da família Dos Reis tratava-se de um homicídio, levado a cabo por uma quarta pessoa. Sem herdeiros, o Castelinho foi motivo de disputa judicial entre familiares, mas acabou ficando nas mãos do governo - a quem ainda pertence até hoje, propriedade do INSS.
Se um crime sem solução não é macabro o suficiente, que tal assombrações? Dizem por aí que, após o crime, o Castelinho da Rua Apa tornou-se um local mal-assombrado: relatos de vultos, ruídos e outras atividades macabras rondam o lugar - som de passos, janelas, portas e torneiras que se abriam sozinhas, entra outras. Também, pudera: seja pelo ódio entre os irmãos ou pelo possível assassinato sem solução, o lugar era um prato cheio para os espíritos vagantes.
Curiosamente, foi depois da intervenção de uma dita paranormal, Rosa Maria Jaques, que a construção finalmente foi restaurada pelo Estado, em 2015. Segundo ela, os espíritos da família permaneceram presos aos lugar, mas se libertaram graças a seus trabalhos no local. Verdade ou não, que as pobres almas possam descansar em paz...
O Crime do Poço
Se vocês acharam as outras histórias assustadoras, saibam que deixei a pior pro final. MUAHAHAHAHA!
No número 104 da Rua Santo Antônio, quase na esquina da Avenida Nove de Julho, morava Paulo Ferreira de Camargo, jovem químico e professor assistente da USP. A época com 26 anos, em 5 de Novembro de 1948, informara aos amigos que faria uma viagem à Curitiba com a mãe, Benedita Ferreira de Camargo (56) e as irmãs, Maria Antonieta (23) e Cordélia (19). Tristemente, alguns dias depois as 3 vieram a falecer em um acidente de carro durante a viagem.
Os amigos e vizinhos, contudo, desconfiaram. Primeiro, porque as 3 mulheres não haviam citado a viagem e, segundo, por não ter sido realizado um funeral. Por meio de denúncias, a polícia mobilizou-se, iniciando investigações e descobrindo que, além de um comportamento aparentemente suspeito na universidade (questionando a seus professores como corroer um cadáver, por exemplo), Paulo havia também construído um poço no quintal de sua casa - segundo ele, em função de uma empresa que tinha intenção de fundar.
Em 23 de Novembro, policiais foram até a casa de Paulo e, após interrogação do jovem, solicitaram ao Corpo de Bombeiros que escavassem o local. O poço, que a princípio não apresentava nenhuma irregularidade, revelou o crime: lá encontraram os corpos das três mulheres, de cabeça para baixo, com os braços amarrados e as cabeças envoltas em panos.
Durante a escavação, Paulo avisou que iria ao banheiro e, visto que a casa estava guardada pela polícia, ninguém o impediu - não havia como fugir. O rapaz, contudo, levou consigo um revólver, se suicidando no local. Embora houvessem especulações, o motivo do assassinato nunca foi descoberto.
Curiosamente, a casa da família Camargo encontrava-se próxima da à Praça da Bandeira, um bloco à frente do famoso Edifício Joelma - palco também de outra tragédia, cuja lenda corre até hoje pela boca dos paulistanos. Como se não bastasse, dizem as más línguas que o lugar no qual ficava a casa costumava ser usado para o castigo e tortura de negros escravos, tornando-o carregado de energias negativas. Lenda ou não, o fato é que as tuas tragédias aconteceram por ali.


Fontes: Veja SP, Wikipedia (Castelinho), Estadão, Bastidores da Informação, Wikipedia (Poço).
Contem-me, pobres almas perdidas: seriam tais histórias lendas ou verdades? Estariam os espíritos vagando entre nós, buscando vingança frente às injustiças que sofreram nas mãos humanas? Deixo para que vocês reflitam a respeito. Ah, e eu recomendaria não olharam pra trás - vai que vocês vêem alguém que não é bem-vindo, não é mesmo?
Brincadeiras à parte, fiquei surpresa em encontrar tantas histórias sobre a cidade na qual nasci - e isso porque haviam outras, que eu preferi deixar pra outro momento. O que acharam? Vocês também têm histórias macabras onde moram? Dividam comigo!
E assim, encerro este mês bruxesco, com chave de ouro! Que os espíritos vos assombrem nessa noite, pobres leitores, e que nenhum de vocês acorde dos pesadelos! MUAHAHAHA! Feliz Halloween!

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Written by Shana | 31 de outubro de 2018 | 3 Comentários | link to this post



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