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Resenha | Sangue Estranho

Sangue Estranho (2009, Editora Record / Strange Blood, 2007) é um livro de ficção policial escrito por Lindsay Ashford. Encontrei esse livro em mais uma daquelas feiras nas quais consigo adquirir alguns títulos por cerca de R$ 10,00. Li a sinopse e, como a boa amante de romances policiais e histórias de investigação criminal, achei que valia a pena.
Sangue Estranho acompanha Meghan Rhys, professora universitária e psicóloga especializada em crimes sexuais, que presta alguns serviços à polícia usando de suas habilidades em traçar perfis e investigar suspeitos. Embora seja a protagonista, Meg não é apresentada de primeira: a estória começa com Dalva, uma repórter que está cobrindo um caso de assassinato em uma cidade pacata em uma região da Inglaterra. O caso acaba sendo chocante por seus requintes de crueldade e pela teoria de que tenha sido cometido com propósitos satânicos. Não bastasse o primeiro homicídio, eventualmente uma segunda vítima é descoberta, e a polícia percebe que pode estar lidando com um assassino em série.
Ao longo da história, acompanhamos a investigação policial e tudo o que a permeia - as relações e os segredos da comunidade aparentemente pacata, os conflitos de interesses entre os envolvidos na apuração dos fatos e os conflitos pessoais do rol de protagonistas - mais especialmente das mulheres: Meghan, sua irmã Ceri e Dalva.
O livro acabou me decepcionando pela maneira como o enredo foi se desenrolando. Um dos aspectos que mais me fascinam nas estórias investigativas é o plot-twist; ser surpreendida por uma revelação que eu não esperava, mas que claramente vinha sendo construída ao longo da narrativa. Não é o que acontece em Sangue Estranho - seja por má tradução ou pelo próprio estilo da autora, o livro segue uma narrativa até instigante, mas na qual elementos são adicionados à esmo - nada me passou a sensação de construção e desenrolar, e era como se o narrador só se lembrasse de algo que deveria ser mencionado de repente e jogasse na estória.
Outro fator que me incomodou é que havia uma série de descrições totalmente desnecessárias. As cenas às vezes mudavam de repente - uma hora o cenário era descrito em detalhes, como o material de uma edificação ou o tipo de folhagem presente em áreas verdes, e em outras cenas os elementos apareciam aleatoriamente, quase que de forma mágica, o que fazia eu me perguntar de onde certos objetos haviam sido tirados, se eu estava na verdade lendo um roteiro e não um romance, entre outras coisas.
Um aspecto positivo de Sangue Estranho é o protagonismo feminino. Grande parte das personagens de destaque são mulheres, e elas dialogam e planejam coisas entre si. Em alguns momentos parecem que todas as personagens importantes são femininas - as vítimas, as heroínas e até as vilãs, de certa forma, o que não deixa de ser interessante (considerando que o livro é de 2007, muito antes das discussões sobre feminismo e protagonismo feminino estarem em alta). Pode ser uma leitura interessante para alguém que busque algo rápido, com pouca profundidade e que tenha mulheres em destaque. Enquanto psicóloga, posso dizer que as observações da Meg fazem bastante sentido e que a construção das motivações dos crimes cometidos também são bem factíveis, embora tenha achado tudo explorado de maneira superficial (de novo: quando de fato precisamos de descrição e de detalhes, os elementos só são jogados na narrativa e fica essa sensação de que faltou uma ponte entre uma coisa e outra).
Num geral, o livro me deixou curiosa, pois a cada passo na investigação de Meghan eu ficava mais aflita por não ter ideia de pra onde estávamos indo. Normalmente, é uma coisa que gosto - deixa a leitura mais instigante e a vontade de devorar o livro vai crescendo -, mas em Sangue Estranho eu achei que só deixou a leitura massante. Parte da minha pressa estava em acabar logo com aquilo porque estava chato, mas eu não queria desistir, por assim dizer. Posso, contudo, estar sendo muito dura nessa resenha, pois como mencionei no início sou muito fã desse gênero e já li muita coisa muito boa com a mesma pegada, que eu julgo bem superior. Não li, contudo, muitas estórias onde mulheres tenham tanto protagonismo, o que pra mim é o único ponto que faz valer a indicação desse livro.


Pois bem. Faziam uns bons meses (mais de ano, na verdade) que eu não resenhava algo aqui pelo Hishoku. Resolvi pegar mais firme com a meta literária nesse segundo semestre, e acabei inspirada pra falar do que li até agora. Acho que ficou sendo mais um desabafo de frustrações do que uma indicação, mas como toda resenha tem o fator pessoal de quem está julgando, vou deixar isso de lado. Duvido que alguém conheça esse romance, mas fica aí a sugestão - e vocês? Conhecem outros romances policiais com protagonismo feminino? Se sim, me contem, que talvez eu esteja precisando!
Por hora, fico por aqui. Beijinhos aos envolvidos e até a próxima!

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Written by Shana | 9 de agosto de 2019 | 1 Comentários | link to this post



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