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Together | Quero me curar de mim

Saudações, queridos leitores! Espero que estejam todos bem e animadinhos. Como eu já tinha dito no início do mês, setembro está um verdadeiro caos na minha vida e o incrível total de 0 pessoas está surpresa com isso. Sigamos então com nossa programação normal.
Esse mês resolvi participar da blogagem do Together que, inspirada pelo Setembro Amarelo, sugere falar da forma de cada um cuidar de si mesmo - que, na minha opinião, é sobre o que a campanha deveria trabalhar em sua essência. É, também, uma reflexão muito frequente pra mim, em especial depois da morte do meu pai. A gente acaba se deixando de lado por uma série de coisas, situações e mesmo pessoas, e acredito que precisamos desacelerar um pouco pra se cuidar um pouco mais - ou, ao menos, saber o que verdadeiramente nos faz bem quando nós precisarmos. Enfim, seguindo o baile, vamos à blogagem!

Fiz em mim uma faxina e
Encontrei no meu umbigo
O meu próprio inimigo
Que adoece na rotina

• Psicoterapia
Se eu sigo sendo psicóloga depois de pegar meu diploma e trabalhar 2 anos na área, é porque eu acredito de verdade no que os processos psicoterapêuticos podem fazer pelas pessoas. A psicoterapia pra mim é um espaço de escuta, de acolhimento, de crescimento, de luta, de empoderamento e de transformação. Muito do que eu comecei a fazer por mim e pra mim mesma nos últimos dois anos da minha só foi possível depois de enfrentar muita coisa na terapia, depois de desabafar muito, chorar muito, ouvir muito e pensar muito. É totalmente diferente do apoio que amigos e familiares podem nos dar, e me faz um bem danado. Desde que me re-estabilizei em São Paulo e iniciei meu processo terapêutico com minha atual terapeuta, eu nunca faltei uma sessão, e sempre faço o possível pra não perder - e não pela necessidade, mas porque eu reconheço o quanto esse momento me faz bem, e levo ele muito a sério.
Que eu tenha ao menos uma hora da minha semana pra não ser julgada e pra me permitir cuidar de mim mesma; acho que isso é o que me motiva a continuar mesmo com as dificuldades :)

• Escrever
Faz tempo que não tenho feito isso - o que sinceramente acho positivo -, mas quando eu sentia que precisava extravasar ou dar forma a alguma coisa que estava sentindo, eu escrevia algo a respeito. Às vezes eram cenas e crônicas que não tinham nada a ver com a minha situação, mas que exprimiam algum sentimento; às vezes eram textos bem sinceros e claros sobre o que eu estava sentindo; às vezes eram poesias ou letras de música, que com o tempo fui deixando de lado. A escrita, pra mim, sempre foi mais do que o ato de escrever, era uma verdadeira forma de expressão - uma maneira de deixar mais palpável a bagunça que estava a minha cabeça.
Comecei a escrever menos desde quando comecei a psicoterapia ainda em Assis, e depois que voltei pra São Paulo, sequer me lembro da última coisa que escrevi nesse sentido - o que prova, pra mim mesma, a função terapêutica que a escrita teve pra mim por muitos anos.

• Ouvir música
Eu muito raramente consigo ouvir uma música sem saber do que ela fala - foi isso que me levou a aprender o inglês e exercitar o mesmo, traduzindo músicas. É muito comum eu estar deitada na cama, no escuro, ouvindo alguma coisa, ou sentada escutando, sem fazer mais nada. Pra mim é uma maneira de expressar, sentir e me conectar com os meus sentimentos - se eu estou com raiva eu ouço algo mais pesado, e sinto que me acalmo; se eu preciso chorar, ouço algo que me emociona; se eu preciso de uma determinada inspiração pra algo, busco uma música que desperte aquele feeling que estou buscando. Acabou virando uma atividade terapêutica em algum momento, e diferentemente da escrita, essa acabou permanecendo na minha vida diária.

• Jogos e leitura
Esses dois itens eu resolvi colocar juntos, porque não é muito comum eu recorrer à eles, mas acabo me esgueirando por esses dois mundos quando preciso espairecer, preencher meu tempo ou mesmo descansar a cabeça de outras coisas. Antigamente, eu lia muito mais livros pra me distrair, e tinha o costume de jogar jogos mais violentos (Mortal Kombat ♥) quando precisava extravasar minha raiva sem bater em coisas ou pessoas, hahahaha!
Hoje acabo me rendendo mais à fanfics e jogos de celular, por questão de praticidade mesmo, mas percebo que mesmo em roupagem diferente os jogos e as histórias são ferramentas que eu uso pra me ocupar e me desligar um pouco do mundo lá fora.

• Youtube
Não tenho mais maturidade pra ver séries, animes e ler mangás: quero ver tudo numa tacada só e não tenho tempo nem forças pra isso. Daí, quando sinto que preciso me distrair e ver algo divertido, acabo recorrendo a alguns canais no youtube pra ver algumas coisas. De uma certa forma é a plataforma que eu mais uso: lá eu ouço música, vejo resenhas e análises, vejo humor e vejo notícias. Quando estou afim de algo que não me faça pensar, vejo coisas divertidas dos meus fandoms favoritos. Pra mim funciona melhor do que televisão e outras plataformas de streaming, de certa forma.

Por fim, acho que eu mesma acabei escapando da minha proposta com essa blogagem, mas achei que fazia sentido pensar nas coisas que eu faço pra me manter bem, e não só daquilo que eu faço por mim quando estou em crise. Também queria sair um pouco dessa vibe mainstream do auto-cuidado, de achar "o equilíbrio" e outras coisas, e refletir sobre as pequenas coisas que a gente faz no dia-a-dia, sem pensar muito, que nos mantém bem e funcionando. E vocês, o que costumam fazer? Usam os mesmos recursos que eu? Espero que o post tenha trazido essa reflexão mais levinha sobre o cuidado, e que a gente possa entender que pra se curar de si, às vezes é só a gente se escutar um pouquinho mais :)
Beijinhos à todos e até a próxima!
E dói, dói, dói me expor assim
dói, dói, dói, despir-se assim.

Mas se eu não tiver coragem
Pra enfrentar os meus defeitos
De que forma, de que jeito,
Eu vou me curar de mim?

*Trechos da música Me Curar de Mim, de Flaira Ferro

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Written by Shana | 20 de setembro de 2019 | 6 Comentários | link to this post



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