






Eu sou muito curiosa. E embora eu nunca tenha morrido em função da minha curiosidade, eu com frequência me deparo com fatos e informações inusitadas - tenho uma amiga que me chama carinhosamente de "enciclopédia humana", porque eu simplesmente lembro de coisas extremamente aleatórias, úteis ou não, como se tivesse um buscador eletrônico no meu cérebro.Baleias explodem depois de mortasTodo ser vivo entra em processo de decomposição ao morrer - toda aquela coisa das bactérias e afins, e esse processo tende a gerar gases (em sua maioria mau-cheirosos). Mas e se você tivesse um ser cujo cadáver se decompõe fora do seu habitat natural? Confuso, né?
Fotografias PóstumasEsse fato é bem conhecido já faz um tempo, mas vale a pena relembrar: na Era Vitoriana, o processo de fazer retratos, como pinturas, era muito custoso, e era comum que famílias perdessem entes queridos e não tivessem nenhum registro dessas pessoas. Por causa disso, tornou-se comum fazer fotografias póstumas, ou seja: tirar fotos junto da pessoa morta - isso porque as fotografias eram muito mais baratas, especialmente para as famílias de classe média e trabalhadora. Chamadas de fotos "post-mortem", essa prática era especialmente popular no século XIX, e embora vira e mexe seja compartilhado nas redes como um fato macabro é também considerado um tipo de registro ou arte específico para celebrar os mortos - existem, inclusive, alguns estilos de fotografia particulares dessa prática, como o chamado "Last Sleep" (último sono), onde se monta o cadáver numa posição que lembre um repouso, com flores e outros arranjos.
"Festas" de "abertura de Múmias" na Era VitorianaA Londres da Era Vitoriana viveu uma verdadeira "febre egípcia" - reza a lenda que voltar de uma viagem ao egito sem uma múmia em mãos era até deselegante. Mas se o fascínio dos britânicos em roubar, quero dizer, explorar outras culturas não for macabro o suficiente, certamente as festas de abertura de múmia eram. E é isso mesmo que você leu: em 15 de Janeiro de 1834, Thomas Pettigrew realizou um "evento" onde poucos sortudos conseguiram 'ingresso' para vê-lo 'desmumificar' uma múmia. Se a violação de uma tumba e a violação de um corpo não forem suficiente, calma: parece que essa moda pegou forte, virando uma verdadeira praga do egito (risos) - e por alguns anos existiu inclusive uma crença por parte de alguns europeus que a carne das múmias tinha propriedades medicinais, se reunindo para ingerir a mesma (e tudo por causa de um erro de tradução em textos islâmicos, olha que chique). Se em algum momento você se perguntou de onde Edgar Allan Poe tirou sua inspiração para o conto "Some Words With a Mummy" ("Pequena Conversa com uma Múmia") saiba que, infelizmente, foi da realidade mesmo.

E iniciamos assim um mês com postagens macabras - eu sei que venho prometendo vários posts de várias coisas, mas vocês me conhecem: adoro ser temática no halloween e não é agora que será diferente. Na verdade, esse post está nos meus rascunhos há muito tempo, e virou até tema na minha avaliação neuropsicológica: o quanto eu me perco lendo sobre coisas aleatórias e fico bem informada sobre aspectos completamente inúteis da humanidade. Não por acaso, sempre tem fatos da era vitoriana, porque tem muitas histórias ambientadas nessa época das quais eu gosto, e enquanto as pessoas focam na moda e nos costumes tipo "chá das cinco e bailes", lá estou eu lendo sobre como as pessoas morriam por causa de papel de parede verde. Enfim né, uma blogueirinha com interesses mórbidos, todo mundo conhece uma.Marcadores: aleatoriedades, datas comemorativas, história, internet
