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Saudações! Seja bem-vinde ao Hishoku no Sora, um espacinho virtual onde há 20 anos escrevo sem pretensão alguma - e agora sem compromisso também, risos. Se essa for sua vibe, sinta-se em casa (as lembre-se que não está)!

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Kawasumi Shana, nascida em 07 de Fevereiro '93. Gosto de fazer rolês gastronômicos por SP, gastar tempo fazendo nada e comprar mais washi tapes do que o necessário. Organizo a vida em planilhas, sou muito criativa (porém cansada), mais sarcástica do que é humanamente aceitável e a cada ano que passa fico ainda mais introvertida e antisocial, risos.
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I'm into that, I'm good to go
I'm diamond, you know I glow up

I only wanted to be part of something
I let you cut me open, just to watch me bleed
Gave up who I am for who you wanted me to be
Don't know why I'm hoping for what I won't receive
Falling for the promise of the emptiness machine
Fui demitida dia 04 de dezembro, um dia antes do aniversário de 8 anos da morte do meu pai. Eu tava preparada pra fazer o blog ficar todo decorado, tinha finalmente realizado o sonho de árvore de Natal própria (com 1,50, cheia de enfeites bonitos e tal) e recebi essa bomba. O motivo? Ninguém soube me dizer. Em Agosto fui afastada por 15 dias por Burnout, quando retornei recebi zero suporte da empresa, não quiseram cumprir as adaptações solicitadas pela minha neurologista e disseram ainda que, se ela quisesse algum feedback deles do porquê não iam cumprir, "precisava solicitar por vias legais". Falei então que ia olhar outras coisas e que já tinha algumas vagas em vista, e cerca de 15 dias depois veio a proposta: uma vaga mais administrativa, 2x home office na semana.
Eu optei por dar uma chance. Tava curtindo o trampo, a vaga era uma posição nova, estávamos criando em conjunto o escopo da nova função e eu estava indo bem. Comendo melhor, dormindo melhor, rendendo um pouco mais, mas tendo uma crise aqui e ali porque estava em recuperação de um burnout.
Dia 03 de dezembro rolou alguma reunião interna para corte de gastos, e no dia 04 me levaram pra uma reunião presencial pra dizer: infelizmente a vaga foi fechada e, portanto, você está encerrando seu ciclo aqui na empresa. Assim, em menos de 10 minutos, sem justificativa, sem feedback negativo. E quando perguntei sobre a estabilidade de 12 meses que meu CID me oferecia: "consultamos os advogados e, como você não chegou a ser afastada pelo INSS, a estabilidade não vale". Ou seja: se a justiça não nos obrigar, não temos nenhum compromisso contigo. Consultaram advogados antes de falar comigo, como se eu fosse o inimigo na história.
Foram 4 anos e meio me doando 120%. No início do ano eu recebi aumento salarial e no meu plano de desenvolvimento foi discutida a possibilidade de me promover no ano seguinte. Recebi excelentes feedbacks, inclusive por ter segurado as pontas no ano passado, quando um dos nossos adolescentes morreu por suicídio e fomos notícia em jornal, revista, recebemos processo nas costas e eu era uma das pessoas que atuava justamente na escola parceira que estava no olho do furacão. Eu adoeci por esse trabalho, e fui descartada como se não fosse nada.
O que mais ouvi foi: (1) cara não faz sentido nenhum; (2) cara isso dava um processo

Todas as pessoas que trabalharam comigo presencialmente nos últimos meses ficaram em choque. Minha antiga gestora, que me apoiou nos últimos anos, ficou em choque. Meus ex-colegas de equipe não vieram nem me dar um "oi" depois que rolou o email institucional (o que me trouxe a satisfação de saber que sempre estive certa sobre essa equipe me hostilizar e sem uma completa merda).
E aí, sinceramente? Eu concluí que foi um livramento.
Eu finalmente me permiti admitir que trabalhar nessa empresa era um inferno. Que eu fui afastada, saí de férias, e continuava tendo que usar uma força descomunal pra levantar da minha cama todo dia, até quando eu estava em home office. Que eu entrei ok nesse trabalho e saí dele tomando remédios controlados pra dormir, pra dor, com sintomas de gastrite, com um edema no nervo óptico e risco de perda da visão e AVC, e agora com a última suspeita de que posso estar com um problema na coluna cervical, que pinça meus nervos e me faz ter dores horríveis. Causado por tensão na região fomentada por fucking estresse.
Eu não ia sair sozinha e saí com todos os meus direitos na mão. Consigo já dar até entrada num apartamento próprio, se eu quiser. Tenho o suficiente pra ficar mais 4 meses sem trabalhar. Posso procurar um trampo novo com calma e encontrar um lugar que não acabe com a minha vontade de viver.
Então sim, dá pra conseguir um bom processo, mas quando você trabalha para um dos caras mais ricos do país, será que você quer passar por esse estresse? E será que eu, individualmente, quero dar mais 1 minuto da minha vida pra esse lugar que fez dela um completo inferno?

Confesso que eu estava com uma angústia sem tamanho com a ideia de "não sei como vou sobreviver no capitalismo sem emprego", mas a hora que a rescisão caiu na conta eu fiquei zen. Real. Tenho passado tempo com minha família, tenho cozinhado, tenho falado mais com minhas amigas e cultivado muito mais meus hobbies. E eu não tive dor de estômago mesmo comendo calabresa, carne vermelha e molho de tomate (coisas que eu cortei da minha vida há mais de ano, porque eu tinha crises horríveis sempre que ingeria alguma delas).

Achei que meu mês seria uma bosta, mas pela primeira vez em quase 5 anos, eu acho que estou bem, e o que parecia um pesadelo talvez tenha se transformado num grande presente. Eu queria ser parte de algo maior num sistema que só nos esvazia, e aprendi a duras penas que a revolução não é minha responsabilidade. Às vezes a maior batalha é seguir de pé por si só, sem depender do que tenta te afundar. E eu não preciso subir nenhuma montanha - pra mim, não se dobrar pelo sistema já me basta.

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By Shana • 21 de dezembro de 2025 • 4 ComentáriosLink this post

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