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A versão atual é inspirada na música "We Don't Talk Anymore", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não.more?

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Resenha | Eu, o desaparecido e a morta
"Encontrei a Violet depois de sua morte, mas isso não me impediu de conhecê-la. E o que estou tentando provar é que eu não sou tão louco quanto devo aparentar."
Eu, o desaparecido e a morta é mais um dos livros que me chamou a atenção em alguma feira aleatória. Paguei R$ 10,00 dinheiros na edição da editora iD/Moderna, e achei ele bem trabalhado, com cores vibrantes, diagramação divertida e páginas decoradas. Parecia ter uma boa premissa e valer a pena o investimento.
Aqui, nós acompanhamos o Lucas, um jovem adolescente britânico (que toma bastante chá, eu achei, e aprovei) que vive com sua mãe e é o irmão do meio de três filhos. E a vida dele seria bem comum, caso seu pai não fosse um jornalista desaparecido. Mas a coisa fica interessante mesmo é quando ele descobre uma urna com as cinzas de Violet Park, esquecida nos achados e perdidos de um ponto de táxi.
Sentindo que ninguém merece passar o resto de seus dias esquecido entre a fumaça dos cigarros de taxistas aleatórios, Lucas decide que Violet precisa de sua ajuda, e a aventura mesmo começa com seu plano de ação para salvar as cinzas da mulher misteriosa - e descobrir como diabos ela chegou ali, claro.
Nitidamente temos aqui uma obra infanto-juvenil, mais pro público jovem e adolescente mesmo, "Eu, o desaparecido e a morta" podia ser só mais um livro engraçado, mas toda essa irreverência se mescla com a vivência constante do protagonista com o luto. Afinal, como você supera uma "morte" que nunca acontece, que fica no ar?
"Eu tinha onze anos quando papai partiu.
E agora me ocorreu que em vez de sentir saudade dele e de sonhar com ele e vê-lo na multidão, transformando-o em um tipo de superpai mítico, eu poderia estar discutindo com ele, comprando discos com ele, bebendo precocemente com ele, roubando dele, chamando-o de hipócrita, percebendo que ele tem mau hálito. Coisas reais, coisas misturadas, não são apenas cenas explícitas de paixão que passam inteiramente pela minha cabeça.
Papai não teve de passar por todas as coisas que a mamãe enfrentou conosco. [...] Meu pai escapou disso porque eu pensava que ele era perfeito e ele não estava aqui." 
Esse foi o ponto alto do livro pra mim, pessoalmente. Acho que acompanhar Lucas enquanto ele elabora seu luto e pensa a respeito do pai nos ajuda a viver nossos próprios lutos - e foi muito significativo pra mim no momento em que li. Ainda assim, não é um livro deprimente, pelo contrário. É impossível ler essa estória sem rir alto ao menos uma vez,
"A Pansy odiava o hospital. Ela dizia que um aposento abafado repleto de pessoas doentes era como morrer dentro de um tupperware."
A narrativa em primeira pessoa é muito leve, gostosa, fluida e irreverente. É um misto de sentir que Lucas está falando conosco e se perdendo nos próprios pensamentos ao mesmo tempo, sempre indo e voltando em algumas lembranças e mencionando informações aleatórias. A falta do pai dele, contudo, atravessa o livro inteiro, levando-o a reflexões sobre o relacionamento dele com as pessoas, com a família e consigo mesmo. Achei fantástico como uma história poderia ser tão leve e divertida e, ao mesmo tempo, me provocar reflexões mais pessoais e profundas, me ajudando a lidar com as minhas próprias perdas. É um livro que diverte, mas te acalenta de uma certa maneira. 
"Martha disse que talvez eu estivesse me apegando tanto aos objetos de papai porque talvez não tivesse tantas boas recordações dele para preencher as lacunas.
Foi uma bela sacada."
O final do livro é conclusivo e, ao mesmo tempo, meio aberto. Achei uma "bela sacada", e achei que finaliza bem a história, embora algumas coisas fiquem no ar porque, bem, assim é a vida. Ela não segue um roteiro bem escrito com um final incrível, ela só acontece, e a gente faz o melhor que pode com o que temos. "Eu, o desaparecido e a morta" é, no fim, uma história muito humana, e é muito fácil se identificar com Lucas e reviver nossas próprias lembranças, de uma maneira leve e saudável. Obviamente, fica recomendadíssima a leitura!

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By Shana • quarta-feira, 10 de maio de 2017 • 1 ComentáriosLink to this post


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