posts profile blog links

The Beginning

"People should learn that you cannot dwell in your past. One who dwells in the past hurts not only himself, but also the people around them."


Black Rabbit

Kawasumi Shana. 25 anos, somando +1 todo dia 07 de Fevereiro. Aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

Follow me


Follow



Farewell

 
Hishoku no Sora
Google Chrome | 1920x1080


Bruxas do 31 | A blogagem do Together

This is Halloween, this is Halloween! Maldições para todos, jovens malditos! Já vestiram suas túnicas hoje? Já saíram em busca de doces e travessuras? Já invocaram os mortos ou tiveram seus pés puxados da cama? Se não, aguardem: temos até a meia-noite para que tudo isso aconteça.
Enquanto isso, vamos lembrar sempre deste Bruxas do 31, que ficará eternamente gravado em nossas memórias por seus notáveis atrasos nas últimas postagens *cries* Tive muitas maldições para lançar e espíritos para encaminhar, então a semana foi corrida e cansativa. Vocês perdoem esta velha bruxa, ela já não é mais a mesma.
De qualquer maneira, hoje é 31 de Outubro, o dia mais lindo desse mês lindo! Então, pra fechar oficialmente com chave de ouro, eu e Tenie resolvemos unir o útil ao agradável e juntamos duas blogagens numa só - assim, além de encerramento do Bruxas, o post de hoje também faz parte da Blogagem Coletiva de Outubro do Together!
Pra quem não viu (que pena!), o tema deste mês é, na verdade, um roteiro escrito por mim. A ideia é responder as perguntas sem ler antecipadamente, elaborando uma história macabra. Como eu escrevi o roteiro e também fui lendo as blogagens participantes ao longo do mês, eu claramente perdi o fator surpresa - mas isso não me impediu de brisar com minhas próprias perguntas.
Sendo assim, sentem-se confortavelmente, segurem vossos terços, água benta e amuletos, que a viagem é sombria e horripilante!
Obs: o texto a seguir contém uma infinidade de palavrões. Desculpe aí pelo vacilo.

Você está com um grupo de amigos, e eles resolvem visitar um local ~assombrado~. Onde eles querem te levar?
Se são meus migos, deve ser a trupe de Ax City. Não tinha muita coisa interessante em Ax que não nos colocasse em risco de vida, então provavelmente iríamos a uma casa abandonada, daquelas que a dona morreu há anos, nenhum filho tomou conta e as pessoas da rua dizem que os espíritos assombram. Até porque já que é pra me assustar, somemos também invasão de propriedade, por que não?

Ok, o local foi definido - mas e aí, qual a sua reação? Você vai?
Eu certamente vou ficar onde estou e desejar boa sorte pros migos. Eu nem vou no banheiro à noite, cês tão loucos?

Seus amigos são sacanas e já tinham decido te arrastar independente da sua vontade. Como é o trajeto?
Bom, primeiro eles provavelmente me enganaram pra me arrastar pra esse lugar dos infernos, então o trajeto inclui eu ficando muito puta, deserdando todo mundo e orando aos deuses de todas as religiões para que me protejam de todos os males, porque SE ESSES SÃO MEUS AMIGOS, EU NEM QUERO SABER QUEM SÃO OS INIMIGOS!!! 
Mas enfim, o trajeto provavelmente foi feito de carro, ficamos todos enfurnados no Petralha Móvel, as pessoas provavelmente estavam rindo de mim e do meu piti, e eu xinguei todo mundo. Conforme a gente se aproximou, provavelmente ficamos mais tensos, porque Ax é uma cidade onde não há uma alma viva na rua após as 22h. Eu diria "bem feito pra eles!", mas como eu fui arrastada, estou sofrendo em silêncio.

Ok, parece bom. Chegando lá, ninguém quer entrar no local ~assombrado~, e resolvem tirar no palitinho. Quem foi o escolhido? Claro que é você! E agora?
Eu xingo todo mundo e me recuso porque não sou obrigada nem sou paga pra isso, vocês tão loucos???

Bom, você é o protagonista, etão independente da pergunta anterior, você adentra o local ~assombrado~. Quais são as primeiras 3 coisas que você vê?
Existe a opção de revogar meu papel de protagonista? Tenho interesse.
De qualquer maneira, bom, primeiro que eu sou pesada e não consigo escalar portões nem pular muros, então obriguei os meninos a arrombarem o portão - já que vou me foder, não vai ser sozinha não senhor. Depois de superar o nojinho do "jardim" abandonado, fui andando bem devagar até a porta da casa. Olhei pra trás suplicante, mas já estabelecemos que meus amigos são uns malditos (B e L certamente estão rindo, essas malditas) e segui em frente. Tentei abrir a porta - não sem uma dose de nojinho, porque eu odeio sujar minhas mãos - e ela estava estranhamente destrancada - MUITOS ALARMES SOANDO NA MINHA CABEÇA NESSE MOMENTO! 
Apesar do escuro, dava pra ver que não tinha muita coisa. Uma sala espaçosa, um corredor na lateral e várias portas. Parece que tem um pouco de lixo jogado nos cantos.

Hm, é, ok. E aí, é ~assombrado~ mesmo?
Apesar de tenebroso, parece só uma casa abandonada. Acho que devia mesmo ser de alguma senhorinha, os filhos devem ter brigado pelos móveis e coisas e largado o que não interessava por aqui. Uma casa velha, fedida e abandonada, sim.

Tá. Bom, de qualquer maneira, você precisa explorar um pouco mais. Ah é, seus amigos te obrigaram a fazer uma aposta! Qual era a aposta?
Eles vão me pagar quanta comida cara eu quiser nessa birosca de cidade se eu cruzar a casa, sair por trás e voltar pra entrada pelo corredor de fora, pra garantir que eu fui até o fim. Preciso entrar em todos os quartos também.

Ok, missão definida, você está desbravando o local. O que está acontecendo?
Vários nadas. Sou medrosa pra caralho, então estou dando passinhos de bebê e morrendo de medo de que alguma barata, inseto, larva ou qualquer outra coisa apareça. Pulo e grito a cada ruído que escuto, mas vou tentando andar pelo meio da sala - vai saber o que tem nas paredes, não sou louca de encostar em nada aqui não!

Ei. Você ouviu isso?
Paro um minuto e escuto. Acho que ouvi um ruído. Xingo meus amigos mentalmente, porque um deles certamente achou que ia ser engraçado me assustar. Parece um rangido de madeira velha.

Ufa. Era só a sola do meu sapato fazendo barulhinho. Continuemos. A propósito, você não está mais sozinho. Fique atento.
Depois de ter uma parada cardíaca, segurar a respiração por 23 segundos (não aguento mais que isso não) e concluir que casa velha faz barulho mesmo, sigo em frente. Tô com a sensação de que tem algo atrás de mim, mas pode ser coisa da minha cabeça, né. Tô numa casa declaradamente assombrada, o que a gente devia esperar?

Você provavelmente tinha algum instrumento com você. Se for uma lanterna, ela vai cair num buraco. Se for um celular, vai acabar a bateria. O que você vai fazer agora?
Entrar em desespero, provavelmente, no segundo que a tela do meu celular acabar.
Já quero chorar de ter me submetido a isso, mas guardo o celular no bolso e começo a planejar as mortes lentas e dolorosas de cada um dos meu amigos (VOCÊS ME PAGAM, FILHOS DA PUTA!).
Por hora, eu fico parada, pensando no que faço agora.

Você acaba de se dar conta de que está perdido no local e não consegue mais ouvir seus amigos. Qual a primeira coisa que te passa pela cabeça?
Como não tem mais luz e eu tenho 0 senso de direção, não sei exatamente onde eu tô. Não quero encostar em nada, porque tenho nojinho, não tenho mais luz, tá escuro pra caramba e eu não sei se consigo sair do lugar. Daí como não ouço mais ninguém, pensei: essa fucking casa é enorme por dentro, só por Cher.

Tem algo atrás de você. Mas você não pode ver. E agora?
E agora eu prendo a respiração e tento escutar alguma coisa. Se eu não ouvir nada, vou me convencer de que é coisa da minha cabeça, se eu ouvi... bom, fudeu.
Nesse meio tempo, mentalizei a estrutura da casa: tinha um corredor na lateral, então como eu entrei por uma sala, provavelmente o corredor terminaria numa cozinha ou lavanderia, e eu poderia sair direto por lá. Dane-se a aposta! Que os deuses me protejam.

Parece um plano. Continue assim. Enquanto isso, você percebe que está cada vez mais escuro. O que você faz?
Eu entro em desespero: já não estava vendo nada antes, quem dirá agora! Ainda assim, resolvi correr pelo corredor, torcendo pra que a casa tivesse mesmo a estrutura que eu mentalizei.

Tem algo aqui. O que é?
Chegando na cozinha (LOUVADA SEJA A MESMICE DO INTERIOR), senti um cheiro muito, muito podre, de carniça. Tropecei numa coisa e aproveitei que entrava um pouco de luz da noite pela janela. Olhei pro chão e gritei: tinha uma massa desforme, que lembrava vagamente um corpo, e eu nem quero pensar a quanto tempo aquilo está ali.

Certo. Qual o seu plano pra se livrar disso?
Não tem plano, eu só quero sair daqui - então vamos em busca de uma porta, buraco, travessia, portal, qualquer coisa em nome de chessus!

Você não conseguiu se livrar disso. Agora, está ouvindo vozes. Não são seus amigos. O que você faz?
Tentei localizar uma porta e é claro, óbvio que eu só me fodo nessa merda, que ela está trancada. Me senti como se ouvisse um monte de barulho na minha cabeça, como se estivesse no meio de uma multidão barulhenta - mas como é algo que costuma acontecer quando estou meio atordoada, desconsiderei e continuei puxando e empurrando a fucking porta.

Bom, a essa altura você já amaldiçoou todos os seus amigos, a sua sorte e toda a sua árvore genealógica. Qual o plano?
EU JÁ DISSE QUE NÃO TEM PLANO!

Em meio a seu desespero, você encontra um objeto que pode te ajudar. O que é, e como você vai usá-lo?
Depois de puxar os cabelos e desistir da vida, eu acabei me apoiando no que parecia ser o mármore da pia e senti um negócio. Segurei e trouxe pra perto do rosto pra olhar: um isqueiro.
Bom, agora eu tenho luz pra voltar de onde vim, e na pior das hipóteses taco fogo nessa merda. A casa parece que é de madeira mesmo (ah, o interior, nunca me senti tão grata por estar nele).

Em posse do seu plano e do seu objeto, você chega a um novo ambiente no local. Descreva o lugar.
Bom, acendi o isqueiro, fiz questão de não olhar pro chão e resolvi voltar. Não parecia ter nada atrás de mim e tal, mas percebi que o corredor agora dava numa porta - a luz era pouca, mas as paredes pareciam mofadas - o que faz total sentido se tinha um corpo apodrecendo na cozinha, porque estou convicta de que esbarrei num corpo apodrecido na cozinha. 
Na lateral do corredor, haviam outras portas, que eu supos que deveriam dar pra um quarto e um banheiro. Não lembrava da porta do corredor, e achei bizarro ter uma porta ali, mas também não vi nada quando estava correndo, então posso ter esbarrado nela e fechado.
Oremos.

Neste ambiente, você encontra um caderno, parece um diário. Como ele é?
No chão, em frente a porta, tinha um caderno vermelho. A capa era forrada com um tecido que parece couro falso - parecia antigo, tipo cadernos velhos que minha mãe tem. Parecia consideravelmente bem-conservado, apesar da situação inteira e tal.
Bom, já encostei em tudo, já gritei, infartei, encontrei os mortos, nada me impede de parar no meio de uma fuga desesperada e ler o negócio, né non?

Você eventualmente descobre que o diário foi escrito por você. Você está morto há 33 anos, e sua alma está presa ao local. Algo te impede de seguir adiante e, se você não descobrir o que te prende no mundo terreno, está fadado a repetir o mesmo ciclo todos os dias, por toda a eternidade. Qual a sua reação?
Estou tendo um mind-fuck, I need a moment.

Você consegue se lembrar o que te prende no plano terreno?
Bom, eu sou dessas que em momentos de desespero começa a pensar logicamente, então comecemos: se eu estou em Assis, existe a possibilidade de eu não estar formada, então eu ia ficar bem puta de ter enfrentado mil greves e não ter conseguido meu diploma. Se fosse isso, eu estaria no campus, e não numa casa assombrada xis.
Daí, já que a situação não faz sentido algum, apelei pros meus conhecimentos de ficção: se eu estou revivendo o dia que invadimos a casa - supondo que tudo isso seja real e que esse provavelmente é o último dia que eu vivi aqui, por isso se repete - então quer dizer que aconteceu algo aqui que poderia ter me prendido nesse lugar. Algo aqui que tem a ver com não seguir em frente.
Daí eu lembrei: Ah, é. Tem um cadáver em decomposição na cozinha. Deve ser isso.

Havia algo com você no meio da história. Está de volta. Você pode fugir ou interagir. Tomada a sua decisão, o que acontece?
Senti de novo que tinha algo atrás de mim e fui na lógica: possivelmente estou morta, revivendo um ciclo que tem a ver com a minha prisão no plano terreno, então das duas uma: ou atrás de mim tem a personificação do mal, ou algum espírito de luz que quer me ajudar a passar pro plano espiritual. Então, eu decidi me virar e falar com o que quer que seja, né.

Você está caindo. O que está acontecendo?!
Virei, vi um vulto na minha cara, gritei, de repente estou caindo.
Vai ver que tô indo é pro inferno mesmo - sempre soube. Encontrando meus migos lá, eu xingo todos (tô sabendo que vocês vão tudo pro inferno, seus malditos).

Você acordou na sua cama. São 5:55 da manhã. Foi tudo um sonho?
Possível. Tenho muitos sonhos do tipo - já sonhei muitas histórias de horror bem mais pesadas e explícitas que essa, não seria nada surpreendente.
A primeira coisa que passou na minha cabeça certamente foi: cérebro, por que você faz isso comigo? Agora eu levanto, porque preciso esquecer esse pesadelo e não vou dormir de novo nem que me paguem.

Você começa a seguir sua rotina. Há uma sensação de deja vu. O que você está pensando?
Por mais bizarro que possa soar: sempre que eu sinto um deja-vú, eu sinto que "isso aconteceu em um sonho" e lembro do sonho na sequência.
Cara. Não. Me recuso a papear com cadáveres em casas abandonadas em Ax, me poupem.

Você acaba de descobrir algo relevante para a história. Nos conte!
Pensando nos acontecimentos bizarros das últimas horas, resolvo ligar pro Alan - o senhor bruxo interpretador de sonhos e coisas místicas - e percebo que não tenho ele na lista de contatos do celular. Certamente, ele não mudou de número sem me avisar, e eu começo a considerar as possibilidades: a gente brigou? Ele morreu? Na hora penso no diário e no que li: se tudo aquilo for um fato, eu estou morta há 33 anos e meus amigos devem ter cerca de 50 ou 60 anos agora. Nenhum dos amigos que me acompanhava em rolês absurdos mora em Assis, e eu não tenho como garantir que aina mantém os mesmos endereços. Olho a lista de contatos e não encontro ninguém - só tem o meu nome repetido várias vezes.
Fiz o óbvio: liguei.

Com a sua descoberta, a história tem um plot twist (reviravolta). O que está acontecendo agora?
Disquei o número e ele chamou 6 vezes. Quando a linha conectou, eu só ouvia uns ruídos e um barulho de vento, respiração, algo assim. Não falei nada, fiquei esperando, mas já fui saindo de onde estava e indo em direção à casa - que eu, magicamente, lembrava onde ficava.
No caminho, percebi que a cidade havia mudado um pouco - lojas e prédios novos, menos mato, como se muitos anos tivessem mesmo se passado. A ligação continuava com ruídos e agora eu certamente ouvia barulho de respiração e alguns gemidos - então decidi falar. A situação inteira era bizarra e eu concluí que não ia mais morrer de qualquer forma, já que eu devia ser um espírito ou algo assim.
Perguntei quem estava ao telefone, e ouvi uma risada meio macabra, sem fôlego. Eu disse que não estava pra brincadeira e que estava indo para a casa. Ouvi algo que parecia com "venha pra mim" e a ligação caiu.
Considerei se devia levar água benta, alho, alguma birosca, mas a essa altura do campeonato? Se aquilo tudo era real eu estava morta - restava me lembrar por que diabos eu tava aqui zoneando entre os vivos.
Cheguei na casa - a rua parecia ser a única que não havia mudado, embora as casas do lado parecessem igualmente abandonadas. Achei um jornal velho e sujo em uma das garagens e arrastei com um gravetinho. Tinha uma coluna falando de uma morte misteriosa de uma estudante em uma casa, que agora era considerada assombrada. Não dava pra ver a data do jornal.

Você está de volta ao local. Explique.
Bom, o que quer que esteja me prendendo aqui, está na casa - concluí que tinha que entrar e descobrir que que tava acontecendo de uma vez por todas. Entrei sem medo, bati a porta e fui direto na cozinha. À luz do dia a casa parecia bem mais acabada, agora que dava pra ver o que o tempo fez com ela e tal. Chegando na cozinha, não tinha nada lá.

Você precisa realizar uma ação. Qual?
Já que não tinha nada na cozinha, decidi olhar os outros cômodos. Chutei uma porta de um quarto - vazio; chutei a do meio, era o banheiro, também vazio. Então fui direto na terceira porta e descobri outro quarto - não vazio, desta vez.
No meio do quarto, havia uma mesa redonda, com meus amigos todos sentados em volta. A cadeira de costas pra porta estava vazia, e no meio da mesa só tinha uma vela acesa. Todo mundo olhou pra mim.

Depois de tudo, você só consegue pensar em uma coisa: o que é?
Pensei em retrospecto: se eu estava morta e revivendo o dia que morri, porque algo nesse dia me fez ficar presa no plano terreno, certamente tinha a ver com meus amigos, porque eles estavam na lembrança. A partir do momento que eu consegui quebrar o ciclo do dia, certamente consegui fazer o rumo das coisas mudarem.
Concluí que a cadeira vazia era minha, e sentei na mesa.

Parabéns! Você chegou ao final. Você sobreviveu?
Bom, certamente que não. Eu morri no meio da história, né? A não ser que a gente conte a vida após a morte como sobreviver.

Tem certeza?
... Sim? Ou não. Não tenho certeza de nada nessa história.

Mesmo, mesmo?
Tá me zoando, cara?

Você se depara mais uma vez com o diário. O que está escrito?
Bom, sentei na cadeira e encarei meus amigos, que estavam com cara de nada. Olhei pra baixo e vi que o diário estava ali, na minha frente - embora não estivesse quando cheguei no quarto. Resolvi abrir e fui folheando as páginas - só tinha coisa até a metade, então nada de novo. Aí olhe pra frente e vi a vela.
Nisso, lembrei que quando era criança meu pai fazia uma "mágica": ele escrevia algo com suco de limão numa folha e, depois, passava a vela. O negócio aparecia no papel como mágica mesmo! Como a história toda era bizarra, resolvi arriscar: peguei a vela e passei por baixo da folha que vinha na sequência do último escrito. Estava escrito algo mesmo - cara, que louco! -, uma única frase: ninguém te matou.
Fiz os pontos. Eu tinha encontrado um cadáver podre na cozinha, e durante meu passeio macabro tinha reclamado sobre como não tinha luz alguma na casa. Levantei com o diários em mãos e olhei pros meus amigos - ninguém fez menção de me impedir, então voltei pra cozinha. Não havia mais cadáver, mas tinha uma mancha de sangue na quina do mármore da pia.
Fui no mais lógico: provavelmente, corri feito louca, bati a cabeça e sangrei até morrer. Conhecendo meus amigos como conheço, devem ter se preocupado com a demora e alguém resolveu ir até a casa ver onde eu estava. Encontraram meu corpo, possivelmente morto, e alguém deveria ter ligado pro resgate.
Enquanto eu pensava, senti um calor nas mãos e larguei o diário no chão. Olhei pras páginas em branco e começaram a aparecer algumas palavras, com uma letra que não era minha. Agachei pra olhar. Havia um monte de mensagens e pedidos de desculpas, com letras diferentes, e percebi que eram dos meus amigos.
Daí senti uma coisa, como se um vento tivesse me empurrado bem forte, e comecei a ver uns acontecimentos. Meus amigos desesperados. Alguém me arrastando pra dentro do carro. Muitos gritos. Um acidente.
Meus amigos provavelmente morreram tentando me levar pra um hospital ou algo do tipo, e o que me mantinha presa no plano terreno era a culpa deles; eles se culpavam pela minha morte.

Com o que você descobriu, coloque um fim nessa estória, de uma vez por todas!
Em posse das novas informações, voltei pro quarto - a mesa ainda estava lá, meus amigos sentados nela. Sentei na minha cadeira, olhei pra cada um deles e disse: eu nunca culpei ninguém. Se eu morri, é porque faz parte da vida. Vocês podem descansar tranquilos.
Com isso, eles todos sorriram, e, devagar, foram desaparecendo, até não restar ninguém. Fiquei só eu, sentada na mesa, com a vela. Concluí que depois de finalmente libertar meus amigos, eu podia seguir em frente também, então me debrucei sobre a mesa e apaguei a vela. Ficou tudo escuro.
Daí eu acordei. 

E ENFIM TERMINEI! Deixei a criatividade rolar solta - foi legal que, como tenho memória de peixe, não lembrava ao certo a ordem de algumas perguntas e fui surpreendida em alguns pontos, hahaha! Espero que a viagem não tenha sido muito louca. :x
Com isso, declaro encerrado o Bruxas do 31 do ano de 2017! Não se esqueçam de checar também o blog da Tenie, pra ver como se desenrolou a blogagem dela! Espero que tenham gostado do especial deste ano, focado em histórias pra se contar, e que tenham se divertido nesse viagem ao longo do mês de Outubro. A partir da semana que vem, o Hishoku volta com a programação normal.
Isso tudo dito: feliz dia das bruxas, pessoal! Espero que ainda se deparem com alguns horrores aqui e ali, e que os entes das trevas lhes façam uma visitinha ainda hoje ♥ Beijinhos macabros para todos e até a próxima!


Esse post faz parte do projeto Bruxas do 31. Para saber mais, clique aqui! Visite também o Kakumei Blog para acessar a outra postagem sobre o tema.

Marcadores: , , ,


Written by Shana | 31 de outubro de 2017 | 0 Comentários | link to this post


«older newer»