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A versão atual é inspirada na música "Afraid to be Cool", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS, War of Wormone).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

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Super Resenha: Shingeki no Kyojin

Bom. No geral quando eu leio ou assisto alguma coisa eu sempre digo que vou falar a respeito aqui no blog e acabo deixando pra lá. Contudo, dessa vez eu não posso deixar passar a obra de Hajime Isayama, Shingeki no Kyojin. Isso porque esse título deixou um impressão muito grande em mim, e eu tô com essa necessidade de falar a respeito queimando por dentro. Como eu tenho a intenção de fazer uma análise de algumas coisas, embora a série ainda esteja em andamento, essa aqui é mais uma Super Resenha do Hishoku, então senta numa posição legal que post grande vem aí.


Algumas centenas de anos atrás, os humanos foram quase exterminados pelos titãs, seres com têm vários metros de altura que aparentam não ter inteligência e devoram seres humanos. Uma pequena porcentagem da humanidade sobreviveu enclausurando-se em uma área protegida por três grandes muralhas, maiores até mesmo que o maior dos gigantes. Graças a elas, os homens não têm visto um titã por cerca de 100 anos. Contudo, esse cenário é tragicamente alterado no dia em que um titã de 60 metros destrói a muralha externa, permitindo que os demais invadam o território dos humanos. É nesse fatídico dia que Eren Yeager, ainda criança, vê sua mãe ser devorada viva por um titã, jurando exterminar cada um dos gigantes e vingar-se em nome de toda a raça humana.


Informações adicionais: Escrito e ilustrado por Hajime Isayama, Shingeki no Kyojin (literalmente, "Avanço dos Titãs") recebeu o prêmio de Melhor Mangá Shounen no 35º Kodansha Manga Awards (2011). No Brasil, ele é publicado bimestralmente pela editora Panini, com o título "Ataque dos Titãs". Uma segunda temporada do anime está prevista para 2016.
O MANGÁ
• Enredo: Ao contrário de muitos títulos "febris", Shingeki no Kyojin traz um enredo muito complexo, envolvente e elaborado. Trata-se de uma distopia aterrorizante, onde a sombra da extinção paira sobre a humanidade e não se tem qualquer perspectiva de um futuro - o que torna o uso dessa expressão meio equivocado, mas vamos deixar essa questão de lado. A história se passa, até o momento, entre os anos de 845-850, e a sociedade se vê obrigada a desenvolver uma série de tecnologias surreais para garantir sua sobrevivência no pouco espaço terreno que lhe resta - que vai desde material bélico a certos tipos de leveduras para estocar comida. Num geral, a histórica tem como foco os Titãs, esses seres gigantes que aparecem sem explicação ou objetivo definido, que colocam em risco a raça humana, e a luta desse povo pra tentar sobreviver. Esse cenário é o "pano de fundo" pra narrar os acontecimentos em torno da vida de Eren Yeager, o protagonista da série, e todos os acontecimentos e relações que permeiam a sua existência.
Uma das características mais fortes de Shingeki no Kyojin é a tensão e o terror psicológico que permeiam toda a série, uma vez que nunca se sabe o que vai acontecer na próxima página. Isayama te envolve ao ponto de entrarmos de cabeça na história, quase como se o leitor também fizesse parte dela.
• Desenvolvimento: publicado mensalmente na Bessatsu Shounen da Kodansha, e contando com uma média de 40 páginas por mês, o desenrolar da história é um aspecto muito interessante desse mangá, principalmente por apresentar-se de forma absurdamente dinâmica - ao ponto de a gente se perder no meio de tanta coisa. Contudo, é justamente essa "confusão" que te faz entrar no clima da história: não dá tempo pra pensar, só de agir, e é exatamente isso que acontece na maioria das vezes. Os capítulos são dinâmicos e quase não nos damos conta que já passaram 40 páginas, e a medida que um mistério é revelado, mais e mais perguntas vão aparecendo - o que te leva a devorar um volume em questão de horas. Apesar dessa agilidade, contudo, a história se desenvolve de forma complexa e consistente, o que me faz considerar esse outro ponto forte desse mangá.
Outra coisa que eu achei muito inovadora - e olha que já li muitos mangás nessa minha vida - é que não existe ruptura entre um capítulo e outro, sendo a primeira página de um a continuação direta do anterior. Isso é outro aspecto que dá a impressão de continuidade e agilidade à história, e eu particularmente adorei a ideia. 8D
• Personagens: A história gira em torno de três personagens principais: Eren Yeager, o protagonista, e seus inseparáveis companheiros Mikasa Ackerman - sua "irmã adotiva" - e Armin Arlert - seu melhor e único amigo desde a infância. Apesar disso, ao longo da história outos personagens ganham destaque (como Levi e Hange), e existe um grupo de personagens que contribui para o desenrolar do enredo de alguma forma, tornando-o indispensável - o que nem sempre acontece com os personagens secundários de um mangá. Outro aspecto importante é que cada personagem tem um desenvolvimento e personalidade complexos, mas que na maioria das vezes passam despercebidos pelo leitor pela velocidade dos acontecimentos. Assim como o leitor, os personagens são sugados pelos acontecimentos diários, e não parece haver muito espaço para o autor explorar os aspectos das personalidades de cada um - como o trauma que originou a determinação do Eren ou os motivos que acarretaram a super-proteção que a Mikasa tem para com ele.
• Arte: Aqui é o aspecto onde o mangá mais deixa a desejar. Infelizmente, Isayama não pode ser considerado um mestre na área, então é bem comum nos depararmos com corpos desproporcionais, closes estranhos, personagens cabeçudos e um traço bem desajeitado. Por vezes, a gente acaba dando de cara com umas cenas meio estranhas os bizarras - e mesmo pra quem é acostumado a ler mangás, até a expressão facial dos personagens é meio esquesita. Contudo, eu diria que as cenas de ação são o ponto forte do mangá, dando a sensação de movimento e agilidade.

O ANIME

• Adaptação: Cobrindo os primeiros oito volumes do mangá, a animação do Wit Studio foi muito fiel à obra original em alguns aspectos, mas deixa a desejar em outros. A começar pelo fato de que o anime tem uma série de fillers em todos os episódios, mas que, estranhamente, auxiliam ou complementam o enredo de alguma forma. O real problema é que a história ficou muito mais puxada para o drama, e algumas mudanças desnecessárias acabaram sendo feitas no enredo (aspecto que eu pretendo abordar no próximo tópico). Fora isso, num geral o anime cumpre bem o seu papel, embora a maior parte das cenas mais legais acabou não sendo adaptada - alguém mais queria ver a Mikasa pegando o Eren no colo e jogando ele não chão? Não? Okei...
• Arte e Character Design: Esse ponto veio pra salvar a série, uma vez que o traço do autor não é lá aquelas coisas - desculpa aí, Isayama. O design das personagens deu um ar mais jovial - que foi muito bem vindo, uma vez que grande parte deles não passa dos 15 anos -, bonito, mas sem perder o traço firme e forte, característico do mangá. Já os cenários, que são bem trabalhados nos quadrinhos, são um show à parte no anime, e podemos nos deliciar com paisagens fantásticas a magníficas em quase todos os episódios. Se eu fosse usar números, daria nota 10 com certeza.
• Trilha Sonora: Ouso dizer que Shingeki no Kyojin tem uma das melhores trilhas sonoras que já vi. Todas as músicas são maravilhosas, desde as openings e endings até as OSTs. Tem uma preocupação bem interessante em usar letras em alemão em várias músicas - talvez porque o nome do protagonista derive dessa língua? - e temos uma mistura harmoniosa de orquestras, corais habilidosos, guitarras e instrumentais no maior estilo Era. Eu diria que a trilha sonora é digna de filmes como O Senhor dos Anéis ou 007, por exemplo, e tem um caráter bem épico que cai como uma luva na série. Nota 10 também, porque merece!

COMPARANDO: MANGÁ vs. ANIME

ATENÇÃO
Essa sessão conterá alguns spoilers da série. Você pode pular essa parte, se preferir.

Como eu mencionei no tópico anterior, a animação cumpre muito bem o papel ao qual se propõe. Contudo, algumas alterações foram realizadas no enredo e na personalidade de algumas personagens, e é pra este ponto que quero chamar a atenção de vocês. Vou começar por umas das alterações mais desnecessárias que eu vi até agora: a tatuagem da Mikasa.
No arco em que nos é contato o passado da Mikasa, tanto no anime quanto no mangá, nós voltamos para o dia em que ela perde seus pais e conhece Eren, e quando é adotada por Grisha Yeager, pai do protagonista. Contudo, na primeira cena, nós temos uma Mikasa reclamando de uma dor em seu pulso - que está enfaixado - e sua mãe lhe pedindo para lidar com isso, e explicando que a marca que fez em sem braço é um símbolo do clã da família, que deve ter passado de geração para geração. Ou seja, uma marca, uma possível tatuagem. Até aí, sem drama.
Agora me expliquem vocês: por que diabos elas estão fazendo bordado no anime? Um bordado que, ora vejam só, é tradição do clã e é passado de geração em geração.
Quem acompanha o mangá sabe que existe um mistério envolvendo as duas origens da Mikasa, os asiáticos e os próprios Ackeman. Então é muito provável que essa marca no pulso dela possa vir a ter papel importante no enredo da série, e não tem qualquer motivo aparente pra essa mudança. Foi um deslize muito estúpido da adaptação, e eu quero só ver como vão consertar isso depois...


Outra cena que foi alterada drasticamente no anime é mais para o final, quando Eren Yeager luta contra a Titã Fêmea. A complicação da cena se dá após ser descoberta a identidade da inimiga, e o protagonista não consegue de transformar porque, inconscientemente, se recusa a lutar contra ea e recusa a descoberta. Nesse momento, Armin Arlert elabora um plano quase suicida para chamar a atenção da Titã enquanto Eren está no seu momento de negação. Enquanto ele e Mikasa correm para chamar a atenção da inimiga, Eren diz que eles vão morrer e pergunta como eles conseguem lutar [contra uma amiga], ao que Mikasa responde: "Esse mundo é cruel". E é aqui que a coisa acontece.
No mangá, ela e Eren se encaram, e a nossa conhecida determinação brilha nos olhos dele, quando responde "Sim, ele é". Daí se sucede a cena abaixo: ele morde sua mão de novo e bum, vamos um titã emergindo da cidade subterrânea.



Já no anime, houve uma outra mudança desnecessária. Depois da resposta da Mikasa, ela sai do túnel e nosso protagonista permanece em seu momento depressivo. Na sequência, a Titã Fêmea destrói parte do túnel e Eren fica preso nos escombros, desacordado, e só depois de uns bons 10 minutos de episódio é que ele "volta pra si" e rola toda uma cena dramática pra ele se transformar em titã. Emocionante, né?
Não.
Esse tipo de alterações - e devem haver outras que eu deixei passar - trouxeram à história um caráter melodramático absurdo, e a personalidade do protagonista ficou um pouco deformada graças à isso. Eren Yeager no mangá e um adolescente de 15 anos que passou por coisas demais nessa vida, que se importa muito com os outros e é capaz de qualquer loucura em prol deles - basta você pensar em todos os atos impensados dele e perceber que sempre tem alguém por trás. Ele perde a cabeça quando um colega é devorado por um titã; ele se joga na boca de outro para salvar seu amigo de infância, Armin, e assim por diante.
Temos ainda o agravante de que ele se tornou a nova esperança da humanidade sem sequer saber de onde vieram seus poderes de titã e como controlá-los, além de todos os personagens jogarem pressão em cima dele em todo maldito capítulo, lembrando-o que as vidas da, hã, humanidade inteira dependem dele. Ele chora com facilidade e esconde seu sofrimento e dor atrás da determinação pra alcançar seu objetivo: exterminar todos os titãs, sempre os responsáveis pelo seu sofrimento. No anime, temos o quê? Um guri impulsivo, cuja única utilidade é se transformar em titã, sempre fazendo drama. E essa cena só serviu pra ressaltar essa ideia equivocada do personagem, que é muito mais do que ódio e hormônios aflorando.


Já a Mikasa ganhou a faceta de namorada-possessiva-meio-stalker, por causa da sua obsessão em proteger o Eren. O ponto forte da adaptação é que ela ficou bem mais humana em alguns aspectos, demonstrando seus sentimentos em diversas expressões faciais e tal. O problema foi essa má compreensão das ações e modo de pensar dela quanto ao Eren. Vamos refletir a respeito.
Você é uma criança feliz e contente, até o dia em que seu pai abre a porta de casa e três homens matam a ele e sua mãe na sua frente. Daí eles batem em você, te amarram e te levam pra uma cabana no meio da floresta. Para sair de lá, você precisa matar um deles - lembrando de novo que você deve ter entre 8 e 10 anos, por aí. Você perde tudo o que tem num único dia.


Então você é adotada, e aprende a amar a família que te acolheu. Até que pouco tempo depois, sua cidade é invadida por monstros enormes, sua mãe é soterrada viva pelos escombros da sua própria casa e você sequer consegue tirá-la de lá. Então, um oficial do exército te leva embora, e enquanto você é carregada para longe dali às pressas, pode ver/ouvir sua mãe ser devorada viva por um monstro. Seu pai adotivo nunca mais é visto. O que te sobra? O seu "irmão" adotivo, a única coisa que você tem agora.


Com todo o respeito, eu ia ser meio obsessiva também. Depois de experimentar a impotência diante da perda tantas vezes, nada mais justo do que a Mikasa proteger o Eren com sua própria força a todo e qualquer custo. Ele é a única coisa que ela tem na vida, pessoal, e estamos falando de uma realidade onde as pessoas não tem nem terra pra plantar comida. Onde não se tem uma casa pra voltar, e onde seus amigos morrem a cada dia na boca de monstros. Mikasa Ackerman não é uma psicopata, ela é uma jovem de 15 anos que perdeu tudo num espaço de dois anos de vida. Pense nisso.


Existem muitos outros pontos que eu queria/poderia abordar, mas deem só uma olhada no tamanho desse post! De qualquer forma, essas são as minhas impressões acerca do título. Achei muito necessário falar tudo isso porque a febre que paira sobre Shingeki no Kyojin parece afastar um pouco as pessoas de entrar em contato com a série, e ela nitidamente tem muito potencial pra ser deixada de lado por um motivo bobo como esse. Se for pra escolher, eu recomendo mais a leitura do mangá do que a adaptação animada, pelos motivos que citei acima. Acredito que Shingeki no Kyojin é uma série para todos os públicos, no sentido de: não se deixe levar pelo preconceito do "desenho animado" ou das "coisas japonesas", porque você está perdendo a oportunidade de se aventurar numa história absolutamente fantástica e inegavelmente impactante em vários aspectos. Por fim, espero que tenha aguçado a curiosidade de vocês e trazido um olhar diferente sobre essa obra magnífica! :D Um beijão pra todos, e até a próxima!

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By Shana • domingo, 8 de março de 2015 • 14 ComentáriosLink to this post


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