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A versão atual é inspirada na música "We Don't Talk Anymore", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não.more?

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Resenha: Psycho-Pass

Não foram poucas pessoas que me indicaram Psycho-Pass, mas todo mundo sabe que eu sempre enrolo pra assistir alguma coisa, e com esse título não foi diferente. Quando resolvi assistir, eu não esperava nada, porque não fui atrás de nenhuma informação - embora já de cara desse pra notar que seria alguma coisa complexa e eu já soubesse que o enredo tratava de uma sociedade futurística, além de ser carregado de críticas sociais. Obviamente, eu não pensei que fosse me apaixonar tanto pelo título, e aproveitei que todos os feels e etc estavam frescos na minha cabeça pra começar essa resenha. Vale avisar que o post será grande e que spoilers serão indicados, então fiquem tranquilos! Mas dessa vez e fico devendo uma super resenha, porque fiquei com preguiça de checar os mangás adaptados do anime #MeJulguem Sendo assim, sigam-me leitores!

A história se dá em uma distopia futurística, na qual sensores públicos escaneiam continuamente os "Psycho-Pass" de cada cidadão em seu alcance. Tais sensores mensuram o estado mental, personalidade e probabilidade de um cidadão cometer um crime, enviando um alerta às autoridades quando o coeficiente criminal de alguém ou o nível de stress excede o limite aceito pela norma.
Para assegurar a ordem, os oficiais do governo carregam as "Dominators", armas capazes de mensurar e julgar o Psycho-Pass das pessoas. O foco envolve a equipe de investigação criminal, composta por Coatores, os "criminosos latentes" que concordam em trabalhar para a Segurança Pública, e Inspetores, responsáveis por supervisioná-los.

O início da história
Psycho-Pass é uma animação original (ou seja, não é uma adaptação) produzida pelo estúdio Production I.G em 2012, e está classificada entre os gêneros ficção criminal/policial, distopia e cyberpunk. A história foi escrita por Urobuchi Gen (Madoka Magica; Fate/Zero) e o character design é de autoria de Amano Akira (Reborn!). A primeira temporada conta com 22 episódios, animação e trilha sonora impecáveis e altas doses de tensão - recomendadíssimo pra quem gosta de ficar duro na cadeira enquanto assiste a alguma coisa.
A história começa com Tsunemori Akane chegando a uma cena de crime, para a sua primeira investigação dentro da Segurança Pública. De início as coisas são meio confusas, pois tudo vai acontecendo e você tem que ir acompanhando aos poucos, mas não demora muito pra pegarmos a linha de raciocínio do anime. Estamos em uma Tokyo futurística, controlada pelo Sistema Sibyl, responsável por fazer uma "varredura cimática" (cymatic scan) dos cérebros dos cidadãos, determinando assim suas aptidões, empregos, carreiras e, inclusive, sua predisposição a tornar-se um criminoso. Essa mensuração do estado mental, personalidades e "coeficiente criminal" dos indivíduos é o que chamamos de Psycho-Pass. As Dominators (nome bem apropriado, diga-se de passagem) são armas usadas pela polícia, que conseguem fazer essa avaliação de forma mais rápida, e são capazes de paralisar um indivíduo ou mesmo eliminá-lo.


Até um certo ponto, o anime aborda as investigações da equipe de Segurança Pública e nós vamos entendendo como funciona essa sociedade tão regrada em prol da "felicidade e bem estar". Contudo, não tarda muito para alguns crimes hediondos acontecerem e chegarmos num momento de questionar a eficácia desse sistema, se esse julgamento por varredura cimática realmente funciona e se a qualidade de vida das pessoas realmente está mudando para melhor. 
Um dos pontos fortes de Psycho-Pass é que a crítica cabe muito à nossa sociedade atual, embora trate de uma distopia. Vários pensadores conhecidos, como Foucault e Descartes, são citados no anime, e pra quem conhece ou já leu algum deles é uma verdadeira delícia (porque a gente sabe do que estão falando, hahaha!). O enredo é complexo, profundo e recheado de um sarcasmo bem ácido, que nos leva a questionar nossa própria atuação na sociedade de hoje. É um título que pode chamar a atenção tanto pela ação, mistério e violência (porque eu percebo que essa coisa de armas letais é um tremendo fanservice hoje em dia), tanto pela sua complexidade, profundidade e crítica à sociedade num geral. 


Infelizmente, não dá pra falar muita coisa sem dar margem aos spoilers. Pessoalmente, acho que vale comentar que os amigos que mais enfatizaram a necessidade de eu conferir esse anime são também estudantes de psicologia, e ouso dizer que Psycho-Pass dá um vislumbre do que é se aventurar dentro da mente das pessoas. Uma outra questão que percorre o anime é a passividade das pessoas em relação ao Sistema Sibyl, capaz de julgar cada ser humano com base em uma análise somática (das ondas cerebrais, ué) e de coordenar uma sociedade inteira de maneira "apartidária", digamos assim.
Pra vocês terem uma noção, se o Psycho-Pass de uma pessoa fica "turvo", um robô do Ministério de Saúde e Bem-Estar a aborda e recomenda que ela procure uma terapia; se fica mais turvo, uma terapia de emergência e, se o número passa de 140 (ah, claro, além de cor, o Psycho-Pass é mensurado em números) ela passa a ser considerada um "criminoso latente", e considera-se qe não há mais chance de recuperação. Vale comentar que a pessoa não precisa necessariamente ter um pensamento ruim ou cometer qualquer tipo de ato infracional ou contra a ética e a moral, é só os scans de rua fazerem a varredura diária e constatarem que o psycho-pass dessa pessoa está fora dos padrões aceitáveis.
Complicado, heim? 

Psycho-Pass 2: a que ponto chegamos?
Em 2014 foi lançada a segunda temporada do anime, continuação direta da primeira, contando com 11 episódios. Nessa fase, nós já sabemos a real natureza do Sistema Sibyl e a questão agora não é mais questioná-lo, e sim avaliar se a sociedade se sustenta melhor com ou sem a ordem estabelecida pelo sistema. O foco maior fica na Akane, a protagonista da série, e no conflito interno que ela passa enquanto questiona a imparcialidade do sistema, ao mesmo tempo em que reconhece que a sociedade atual precisa dele para manter-se de pé.
É nesse cenário que aparece um novo criminoso, capaz de driblar a avaliação do sistema e ameaçar a ordem social imposta pelo Sibyl, e o anime fica então voltado à resolução desse caso - tudo isso ainda investigando a estrutura da sociedade atual e focado nos conflitos da protagonista decorrentes da situação.


De início, minha intenção era criticar totalmente essa temporada. Até meados do 5º episódio, o enredo me pareceu extremamente forçado - pra ser honesta, me deu a impressão de alguém se aproveitou da popularidade do título pra "lucrar mais um pouquinho". Ainda assim, me forcei a continuar, porque admito que em algum cantinho eu tinha esperança de que a coisa melhorasse.
Glória aos deuses, a partir do 5º episódio a história da uma guinada e a gente começa a entender o que está acontecendo. Diferentemente da primeira temporada, essa aqui não tem um objetivo muito claro no início - quando Psycho-Pass começa, cada coisa que acontece te ajuda a entender o funcionamento do Sibyl e da sociedade na qual a história se passa, então tudo é válido. Aqui, o objetivo só aparece mais tarde, e até então me deixou muito essa sensação de "inutilidade" mesmo. O que acontece nos primeiros episódios é mais pra nos deixar com a pulga atrás da orelha do que pra nos ajudar a entender qualquer coisa.
Considerando isso tudo, com relação ao enredo, e diria que Psycho-Pass II deixa um pouco a desejar, desliza em alguns pontos, mas consegue se levantar em algum momento e a história retorna à linearidade original, que é o questionamento da existência do próprio sistema.
O que me deixou mais decepcionada é que foram deixadas várias pontas soltas na primeira temporada, e eu estava esperando muito que a segunda fosse dar conta delas. Ela não dá. Mesmo depois de ter terminado, mesmo depois da melhora no enredo, eu ainda terminei com a sensação de que pegaram Psycho-Pass e reciclaram algumas coisas pra ganhar mais dinheiro, mas o objetivo de dar continuidade à história parece ter se perdido no meio do caminho. A animação e a trilha sonora continuam ótimas, embora eu tenha sentido uma leve escorregada no character design, como se outro estúdio ou equipe tivessem assumido o título (e eu confesso que não chequei quem assumiu a direção, a animação e o roteiro dessa temporada, vou ficar devendo essa). Mas calma, leitores, que nem tudo está perdido: alguém nesse mundo das animações se deu conta de que rolou caca e veio em prol da nossa salvação!

Psycho-Pass The Movie: o início da revolução?

No início de 2015 estrelou nos cinemas japoneses Psycho-Pass: The Movie (Gekijouban, em japonês), continuação direta da segunda temporada, Psycho-Pass 2. Primeira coisa que vocês precisam saber: é necessário assistir ao anime pra ver o filme, ou vocês ficarão totalmente perdidos. O longa começa com uma invasão de terroristas ao Japão, que são obviamente interceptados pela Segurança Pública de Tokyo. Nesse contexto, o Japão iniciou a exportação do Sistema Sibyl em outros países, intencionando expandi-lo pelo mundo. A nação escolhida para o experimento foi a SEAUn (South East Asia Union), que se encontra em meio a uma guerra civil e cujo governo foi imposto por meio de intervenção militar - um cenário nem um pouco caótico, claro. Acontece que os tais terroristas são integrantes da resistência em SEAUn, o que leva nossa protagonista, Tsunemori Akane, a viajar ao país para iniciar uma investigação pela Segurança Pública. Lá ela descobre que o mundo fora do Sistema Sibyl não é nada harmonioso, e em meio ao cenário caótico ela precisa descobrir se um antigo parceiro de equipe está no comando da facção terrorista ou não. Psycho-Pass: The Movie parece ter tentado retomar o clima original da série, mas dessa vez a linha da história é colocada "on hold" e somos transportados pra outro contexto. Aqui a gente descobre que fora de Tokyo, onde o Sibyl controla o funcionamento da vida e da sociedade, o mundo está um verdadeiro caos, e por isso existe um real interesse em expandir esse sistema para outros lugares. O conflito iniciado na primeira temporada continua se estendendo, e novamente o Sibyl é colocado à prova - nesse contexto de caos e guerra, é possível manter a sociedade nos padrões civilizados tem o sistema? Embora seja uma ótima produção, como as demais animações, o filme novamente deixa pontas soltas pra mais uma temporada - que eu espero, de coração, chegue logo -, pois as questões inicialmente colocadas continuam se desenvolvendo. Infelizmente, parece que o final de Psycho-Pass ainda está bem longe... mas estamos falando de uma série crítica, de qualidade, digna de fritar o cérebro de quem consegue refletir junto com a história e absorver a crítica que ela oferece. Moral da história? Psycho-Pass vale muito a pena, mesmo com as deslizadas de continuidade no enredo.


E por fim é isso, pessoal. Infelizmente, eu acho que não dá pra dar a vocês uma real noção de Psycho-Pass sem me render aos spoilers. A série é ótima, e sua popularidade faz jus à qualidade da história e da produção. Vale comentar que depois do anime rolaram adaptações em mangá e light novels, que vocês podem conferir se quiserem. Por fim, espero tê-los deixado pelo menos com aquela vontadinha básica de conferir o título, que na minha humilde opinião tem tudo pra agradar a gregos e troianos: ação, beleza estética e um enredo nota 10. Até a próxima, queridos leitores, e boa semana!

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By Shana • sexta-feira, 25 de setembro de 2015 • 10 ComentáriosLink to this post


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