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A versão atual é inspirada na música "Afraid to be Cool", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS, War of Wormone).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

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Resenha | Helter Skelter

Uma palavra antes de começarmos: risos e gritos soam muito parecidos.

Helter Skelter é um mangá Josei (+18), de autoria de Okazaki Kyoko, cuja história dança entre o drama psicológico e o terror. Publicado na Feel Young (Paradise Kiss, Usagi Drop) de 1995 à 1996, foi compilado em um único volume em 2003. O título recebeu o prêmio de excelência no Japan Medias Artes em 2004 e recebeu o Prêmio Cultural Osamu Tezuka, no mesmo ano. Um live-action baseado na história foi lançado em 2012, dirigido por Mika Ninagawa (Sakuran, Helter Skelter). O mangá foi licenciado pela NewPop no Brasil, com data de lançamento ainda a definir.
A história gira em torno de Ririko (Liliko), uma modelo e pop idol que tornou-se o ícone da beleza no Japão. Para tanto, ela foi submetida a um extenso processo de cirurgias plásticas e tratamento estético. Seu corpo, contudo, incapaz de suportar o peso das cirurgias, começa a sofrer as consequências, e pouco a pouco sua saúde física e mental desmorona, rumo a um assustador e inevitável fim.
Quando estou sozinha, eu sinto que serei esmagada.
Quando estou sozinha, eu começo a perder meu controle sobre as coisas.
Quando estou sozinha, eu só não sei o que está acontecendo.
"Isso" aparece dentro da minha cabeça, e "isso" cresce, maior e maior, até que eu eventualmente sou devorada pela coisa.
O mangá segue por uma narrativa muito interessante. O enredo se desenrola, e descobrimos o  que está por trás das aparências pouco a pouco. A narrativa intercala-se entre um narrador desconhecido e a própria Ririko, que misturam-se em cada capítulo, dando um clima quase de livro mesmo - quase como se fosse uma biografia. Quanto à narração, tenho fortes motivos para pensar que quem conta a história no fim das contas é o Kin-chan, o maquiador da modelo, mas ele nunca fica especificado anyway. Em parte, acho que o mangá traz uma crítica ao mundo da moda, beleza e estética, ao mundo o entretenimento e, de uma certa maneira, às exigências que nós próprios fazemos uns do outros. 
Comumente, acham-se as celebridades extremamente fascinantes...
Porque a celebridade é como um câncer; um tipo de deformidade.
Helter Skelter é, segundo o Wikipedia, uma espécie de tobogã em formato espiral. E o título cabe como uma luva na história: Helter Skelter é uma viagem ao poço sem fundo que é a podridão do ser humano. Ouso dizer que o enredo tem um toque meio Cisne Negro, mas talvez um pouco pior. No mangá inteiro não há nenhuma cena visualmente forte, mas eu fiquei bem tensa enquanto lia - sempre esperando "o pior", de uma certa maneira. Conforme os capítulos passam, Ririko vai perdendo a sanidade, ao mesmo tempo que mantém-se extremamente sã quanto a sua situação: seu corpo está podre, assim como ela mesma. Em alguns pontos, ela faz certas referências à loucura, embora penas nomeie que tem "algo" dentro dela que "está acabando".
Eu ouço um som dentro de mim.
Eu ouço alguma coisa fazendo tique-taque dentro de mim.
Eu ouço um som me dizendo para me apressar.
Esse som...
É o som de alguma coisa terminando dentro de mim.
Eu não sei dizer o que poderia estar acabando dentro da Ririko. A vida, o prazo de validade enquanto modelo e pop idol, a própria sanidade dela que se esvai a cada dia que passa. A cada capítulo o mangá desce mais e mais fundo nessa situação desconcertante, pois ao mesmo tempo em que a garota vai perdendo totalmente o controle da sua vida e da sua saúde (física e mental), ela ainda é a pessoa mais sã sobre o processo todo. Ela sabe o que está acontecendo, ela sabe pra onde está indo e que não tem mais volta.
Porque eu só quero brincar com o meu corpo.
E eu quero me divertir arruinando outras pessoas completamente.
Eu não posso evitar, sabe? Porque eu estou sendo completamente arruinada por outras pessoas também.
Pouco depois de publicar o último capítulo do mangá, a autora, Okazaki Kyoko foi atropelada por um motorista alcoolizado, e feriu-se bem gravemente. A obra termina de uma maneira bem conclusiva, na minha opinião, mas a última página dá a entender que será produzida uma continuação. Procurei bastante, mas a autora nunca continuou a história - inclusive, o volume com a história completa não foi retocado nem revisado por ela, segundo uma nota da editora. Independente se foi especulação ou não, a história de Ririko parece acabar por aqui.
Helter Skelter, por fim, é quase um terror psicológico. Ele não assusta, mas perturba. É um pouco confuso lidar com toda a informação, e é impossível se identificar com qualquer um dos personagens. O que fica, no fim da história, é que todos somos meio monstruosos por dentro, movidos por nossos desejos e, às vezes, as pessoas podem ir mais longe do que é possível pra realizá-los.

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By Shana • quarta-feira, 24 de agosto de 2016 • 7 ComentáriosLink to this post


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