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Saudações, visitante! Neste momento, você se encontra no Hishoku no Sora, um blog pessoal sem fins lucrativos. Aqui se fala de tudo um pouco, então fique à vontade!
A versão atual é inspirada na música "We Don't Talk Anymore", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não.more?

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Resenha? Sobre Aldnoah.Zero

Num geral, quando eu resenho coisas, eu me foco na história, desenrolar do enredo e alguns aspectos técnicos - trilha sonora, animação, arte, capítulos, essas coisas. Contudo, preciso confessar que esse post não deve ser considerado uma resenha, porque, honestamente? Não sei o que estou fazendo aqui.
A questão é: a Ren me convenceu a assistir Aldnoah.Zero. Talvez nem tenha convencido, mas ela gosta de um personagem em particular, eu estava sempre vendo algo a respeito invariavelmente (caham, Pensão Koi feelings, sdds btw) e então a Hina falou sobre e eu fiquei: ok, vocês estão me tentando. E eu já estava de férias, então, por que não?
Me aventurei. Mecha não necessariamente é um dos meus gêneros preferidos, mas eu já vi Gundam SEED e gostei, vi um pouco de Gundam Wing, vi alguns mechas malemá durante a vida, então eu já sabia o que esperar grosseiramente: guerras, robôs gigantes, lutas e alguns papos filosóficos sobre política. Ok.
Aí eu comecei a ver Aldnoah.Zero. Meu senhor, o que diabos estava acontecendo ali?
A história é a seguinte (porcamente): em algum momento, os terrestres encontraram, na Lua, uma espécie de portal que os levou à Marte, e lá ergueu-se uma nova civilização. Tudo estaria nos conformes se um homem em particular não tivesse descoberto a tecnologia Aldnoah, que ao reconhecê-lo como seu "pai", digamos assim, conferiu-lhe o direito de ativar tal tecnologia, sendo este passado apenas a seus herdeiros de sangue. Em volta disso, construiu-se uma sociedade nos moldes feudais que, farta de assistir aos terrestres usando e abusando das riquezas naturais da Terra, resolve criar uma desculpa perfeita para iniciar uma guerra entre os dois planetas.
Confuso? Fiquei também. Curiosamente, o ponto forte de Aldnoah.Zero são justamente as lutas e artimanhas políticas que rolam ao longo da série (dignas de qualquer romance feudal, com o acréscimo da tecnologia de ponta) - mas o enredo em si acaba pouco desenvolvido e termina meio confuso, faltando alguma coisa, e eu acabei que não sei se entendi o que de fato aconteceu com a história.
Os personagens, por outro lado...
Antes de falar das altas tretas que os envolvem, vamos a alguns aspectos técnicos: Aldnoah.Zero é uma animação de 2014, proveniente de uma parceria entre os estúdios A-1 Pictures (Kuroshitsuji; Sword Art Online) e TROYCA. Conta com duas temporadas, cada uma com 12 episódios - contudo, uma é continuação direta da outra, e os episódios, inclusive, continuam sendo contabilizados como se fosse uma animação só, de 24 capítulos. Recomendo que assistam na sequência. A animação é fantástica, o character design é bonito e a trilha sonora é maravilhosa, ouçam mesmo que não assistam ao anime. Para os mechas, foram usados moldes/animações em 3D, um recurso que eu particularmente odeio, mas foi tão bem feito que acaba encaixando perfeitamente nas cenas - logo, ponto positivo pra eles!
Agora que vocês sabem tudo o que precisam saber, falemos das personagens de Aldnoah.Zero.

ATENÇÃO!
Daqui pra baixo rolam spoilers sem dó.

Kaizuka Inaho: Prazer, protagonista da série. Inaho é um adolescente inexpressivo, comedido e equilibrado. Qualquer situação de caos iminente, e ele é o único que se mantém calmo e pensa racionalmente na situação. Somada a isso está uma certa genialidade: Inaho é extremamente, quase absurdamente, inteligente. Tendo sido treinado para a guerra e com certo conhecimento sobre as tecnologias vigentes (além de ser mencionado no anime como o melhor aluno da academia ao pilotar um mecha), Inaho é um soldado perfeito. Até aí, tudo bem: todo protagonista de mecha precisa ser inteligente, criativo e ter habilidades acima da média pra vencer na vida. Onde está o problema?
Em todo o resto.
Já mencionei que os marcianos tem uma tecnologia de ponta, poderosíssima, denominada Aldnoah. O poder de fogo terrestre está anos-luz atrás de Vers (o nome do império estabelecido em marte), então, é claro, os terrestres sempre perdem. Então aparece esse jovem inteligente que consegue, com certa engenhosidade e, bom, pensando antes de agir, derrotar os marcianos, mesmo com seus incríveis e invencíveis Aldnoahs. O que os terrestres fazem? Obviamente: usam o moleque até não poderem mais.
Chegando no final da série, Inaho é praticamente o faz-tudo do anime. Inaho faz os planos, Inaho descobre como destruir o inimigo, Inaho luta com o inimigo, Inaho resolve problemas da nave, Inaho faz tudo o que se pode fazer em uma guerra. Ele, inclusive, ganha o posto de Cabo (e rola uma piadinha sobre ele poder dar ordens à irmã mais velha, já que está acima dela). Meu ponto é: seria Inaho o típico protagonista perfeito (vulgo: Kirito de SAO) ou só um garoto com muito potencial que passa a ser descaradamente usado por todos à sua volta até o limite? Minha teoria? Os adultos de Aldnoah.Zero deveriam estar envergonhados.
Inaho é, sim, inteligente, e ao contrário de muita gente, sabe utilizar-se de seu potencial. É habilidoso nas batalhas, pensa rápido e tem um raciocínio lógico de dar inveja - me gabando um pouco, é o esperado pra alguém que tenha uma inteligência lógico-matemática, com capacidade acima da média. O problema é que ele é tão, mas tão maravilhoso, que as demais personagens passam a série contando com ele e ninguém se desenvolve. A única pessoa que vai contra a corrente e sempre tenta agir independente do Inaho é, pasmem, sua irmã mais velha, Yuki. Não por acaso, ela é a única que se importa verdadeiramente com o bem-estar do irmão mais novo, preocupa-se com sua falta de amor-próprio (afinal, ele se joga nas batalhas de cabeça) e que preza por sua vida e saúde. Para todos os outros personagens, Inaho é apenas "o garoto que vai nos salvar", e eventualmente é nesse papel que ele fica: o salvador da pátria, ao qual não são permitidos erros, deslizes e nem mesmo descanso.
O que faltou, na minha opinião? Explorar o passado do Inaho. Ninguém vira um adolescente de 15 anos comedido, equilibrado e inexpressivo do nada. Ele está sempre cuidando da irmã mais velha, cuidando dos amigos, cuidando dos companheiros de exército, cuidando do planeta Terra: por quê? Sabemos que ele perdeu os pais em algum ponto, e acho que seria muito interessante que isso fosse trabalhado. Talvez, assim, ele perdesse um pouco desse endeusamento, e conseguíssemos ver que por trás do jovem equilibrado e fodástico existe um garoto que tem medo, e que se leva ao limite para proteger tudo o que lhe é importante - vale lembrar aqui que ele decide se envolver na luta no momento em que um de seus amigos é morto, quase como se uma alavanca "ligasse" alguma coisa dentro dele.
Um adendo não tão importante: Ren? Agora você sabe porque o Inaho te dá Kirito feelings - são irmãozinhos de estúdio!

Minha cena preferida ♥

Slaine Troyard: Pra mim, o personagem mais complexo da série. Slaine começa como um jovem bom, talvez um pouco inocente, que é submetido a uma série de abusos e outras coisas ruins porque é um estranho no ninho: um terrestre que vive entre os marcianos. Na primeira temporada, ela está determinado a salvar a princesa Asseylum, pela qual tem muito carinho e jurou lealdade, dos terrestres. Slaine, contudo, é vítima de um forte preconceito em Vers, e portanto não tem poder nem meios para resgatá-la. Conforme seguem-se os acontecimentos, o jovem fica numa situação muito similar a um campo minado - cada passo precisa ser pensado, ou, na pior das hipóteses, ele morre. Troyard faz uma série de alianças, toma uma série de decisões e faz uma série de coisas para assegurar sua sobrevivência, e eventualmente reúne uma grande quantidade de poder e seguidores.
A questão é: num dado ponto, Slaine é extremamente poderoso e não tem objetivo nenhum. Pra mim é muito nítido como isso ocorre, uma sucessão de acontecimentos que o leva de um lugar a outro e, de repente, ele chega num ponto do qual não pode mais voltar. A única opção que sobra a Slaine é seguir em frente, e ainda assim, o tempo todo, ele deixa bem claro que não existe um objetivo por trás de suas ações: ele só precisava sobreviver em um ambiente extremamente hostil, mas conseguiu ir muito além graças à sua inteligência e compreensão rápida dos fatos. Slaine acaba terminando na posição de antagonista, mas de uma maneira muito estranha, porque ele não quis estar nesse lugar. Ele chegou ali. E talvez a caminhada de Slaine a esse papel tenha sido uma das maiores falhas de execução do enredo.
De início, o que move o rapaz são seu carinho e lealdade pela princesa - contudo, ele mesmo se perde desse caminho e se vê num momento onde a própria princesa torna-se uma espécie de ameaça pra ele. Sem poder voltas atrás nem ter um objetivo específico em mente, Slaine continua seguindo em frente, ascendendo rapidamente de posição na hierarquia de Vers e reunindo respeito e poder. Quando você se torna uma figura poderosa em meio a uma guerra, a única coisa que se pode fazer é escolher um lado e lutar por ele, e é exatamente isso que Slaine faz. Ele nunca poderia salvar Asseylum sem poder para executar sua estratégia  - tanto de fogo quanto dentro do império de Vers, e ao descobrir um certo golpe de estado, ele precisa fazer alguma coisa, mas ao mesmo tempo não pode arriscar ser acusado de traição e morto pelos Condes da Órbita. No fim das contas, a falta de objetivo de Troyard se transforma numa luta pela sobrevivência, e quando ele não precisa mais se proteger de tudo, cabe a ele atacar seus inimigos. Portanto, ressalto: Slaine não é um vilão, é uma vítima dos acontecimentos.
O final dado pra ele foi muito convincente, na minha opinião. Continuando o raciocínio, não faria o menor sentido matar mais uma vítima da guerra só porque "é assim que as coisas são" - contudo, vivemos em sociedade, e um cara que deliberadamente ataca o planeta Terra não pode ser perdoado, independente dos motivos que o levaram a isso. Dessa forma, embora termine enclausurado, Slaine é perdoado - ainda que não dê pra dizer que foi uma "segunda chance", Asseylum sabe que ele tem um bom coração e o salva, no fim das contas. Talvez esse fim tenha descido um pouco amargo porque estamos acostumados a finais felizes, onde todos são perdoados e vivem felizes pra sempre, mas o final dado ao Slaine me pareceu muito real, e me deixou satisfeita.


Asseylum Vers Allusia: A princesa de Vers, cujo único desejo é uma aliança com a terra em prol da paz. Tinha tudo para ser o alívio kawaii desu da série, mas acaba desenvolvendo-se numa personagem forte, que coloca a mão na massa e luta de verdade pelo que acredita - e preciso dizer que adoro isso nela.
Quando comecei A/Z, assim que bati os olhos nela eu pensei: olha, a versão loira da Lacus (Gundam SEED) - vale lembrar que eu nunca gostei dessa personagem porque a única coisa que ela faz durante toda a série é falar bonito e pregar um discurso chato de paz, com flores, sorrisos e docinhos. Asseylum, pelo contrário, percebe rapidamente o que está acontecendo e começa a agir - inicialmente tentando fazer contato com Vers e informar que está viva. Posteriormente, ao dar-se conta de que os marcianos planejaram um golpe e que não há nada que possa fazer no momento a não ser esconder-se, ela alia-se aos terrestres, almejando um cessar-fogo, e vai para o campo de batalha, determinada a fazer o que for necessário para alcançar este objetivo. Uma princesa muito interessante na minha opinião, e fico um pouco chateada que, por vezes, ela fique mais num papel de interesse romântico do que no de princesa destemida e poderosa. Achei louvável a decisão dela no final da primeira temporada, ao concluir que a melhor maneira de impedir os marcianos seria se matando - e assim, então, desativar a tecnologia Aldnoah, que precisa da princesa viva para continuar funcionando. Ela é justa, destemida e fantástica - louvemos Asseylum, rainha da guerra!
Na segunda temporada, ela fica desaparecida por quase toda a série, num coma causado pelos ferimentos que ela sofre na última batalha (como eu dizia, ela coloca a mão na massa). Ela só se recupera nos últimos episódios, e como esperado, é ela que age pra colocar um fim na história, reclamando seu lugar de Imperatriz de Vers e declarando o fim da guerra. Ela faz um jogo político rápido, tirando o poder de Slaine e impedindo todos os marcianos de atacarem a Terra, que acata o cessar-fogo. Apesar da sua utilidade na série ser basicamente o interesse romântico de Inaho e Slaine - e possivelmente o único motivo que os dois têm pra lutarem -,  Asseylum é uma mulher forte, poderosa e no fim é ela quem conclui a série. Eu achei fantástico o fato de ela não terminar com nenhum dos garotos - embora casada -, porque me deixa a sensação de que ela é dona de si mesma, além de abraçar com responsabilidade e amor o seu papel de Imperatriz e colocar os interesses do povo acima dos seus - não de uma maneira altruísta, porque ela é uma pessoa de bom coração, mas porque ela foi criada pra exercer esse papel (de governante) e acredita verdadeiramente nisso. Talvez seja uma mulher pouco desenvolvida (visto que A/Z é um shounen), mas é uma mulher maravilhosa!


Quanto aos demais personagens, me abstenho de comentá-los pelo seguinte motivo: são muitos, pouco desenvolvidos e a grande maioria é figurante - estão ali porque uma guerra não se faz só com 3 pessoas. A começar pelos Condes de Vers, que totalizam 37 e mal dá tempo de decorar os nomes, porque eles morrem muito rápido - e nas minhas contas, nem todos apareceram na história. Os terrestres têm alguns personagens com mais destaque, mas no fim das contas são os três protagonistas que realmente importam. Se eu fosse destacar, acho que a Yuki tem um papel interessante, que serve de apoio ao protagonista (mostrando seu lado mais humano), mas só isso. Os demais trazem conflitos interessantes de serem pensados, como o Marito que tem síndrome do pânico, a Rayet que não pode escolher nenhum lado - visto que é uma traidora para ambos - e está sempre em conflito consigo mesma e a Lemrina, que é uma bastarda, mas ganha importância a partir do momento em que tem uma função para o império, além de ser claramente uma substituta para a irmã. Esses conflitos todos, contudo, são só jogados na história, e nunca são verdadeiramente concluídos. No fim das contas, acabam todos parecendo draminhas desnecessários, porque não acrescentam nada no enredo e não se desenvolvem (nem se concluem) junto com ele.


Conclusão: Aldonoah.Zero tinha tudo para ser bom. Contudo, o que acontece é uma grande falha de execução, e daí temos um enredo confuso, sem foco, com personagens que aparentam mudar de uma hora pra outra e cujas personalidades nem sempre fazem sentido. Pra mim, esse é o único problema real da série - tem-se uma porção de bons ingredientes, mas na hora de misturá-los e fazer a coisa toda funcionar, nada acontece - pelo contrário, falha-se miseravelmente. A série acaba valendo a pena por ter uma boa premissa, animação de qualidade e bons personagens, embora tudo fique muito desordenado no fim das contas - e eu ainda não entendi até agora como as pessoas foram parar em marte nem o que aconteceu com a Lua, mas suponho que nunca vou entender. Lidemos com isso.
Por fim, esse é o post sobre Aldnoah.Zero, que eu não sei se serve como resenha, visto que veio carregado com spoilers, então vou chamá-lo de discussão. :B Espero que tenham gostado! Beijinhos a todos e até a próxima o/

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By Shana • domingo, 14 de agosto de 2016 • 10 ComentáriosLink to this post


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