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Hishoku no Sora
I'm gonna fly like a bird through the night

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Kawasumi Shana. 25 anos, somando +1 todo dia 07 de Fevereiro. Aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

Encore





Goodbye Stage

 
Hishoku no Sora
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Filme | Away from Her
28.1.17 • 9 ComentáriosPermalink

O filme Away From Her conta a história de Grant e Fiona. Casados há 44 anos, a vida a dois começa a deteriorar lentamente com as pequenas confusões, esquecimentos e mudanças no comportamento da esposa. Buscando uma opinião médica, vem o diagnóstico: Doença de Alzheimer. Quando a situação começa a se agravar, Fiona decide que o melhor, tanto para ela quanto pra Grant, é a internação em uma clínica especializada.
Away from Her é um filme lento, plano, mas tocante de várias maneiras. Todo filmado num clima invernal, traz mesmo a sensação de frio, congelamento e dormência, o que achei muito poético para retratar o Alzheimer, uma doença que descaracteriza as pessoas conforme esquecem sua própria história.
Acompanhei por dois anos uma cuidadora de uma senhora com Alzheimer, e garanto que o filme não passa nem perto do real sofrimento e problemática da doença. Mas ele retrata de maneira muito bela e sensível o sofrimento de ter alguém que você ama cada vez mais distante, descaracterizado, e de como é difícil continuar seguindo a vida quando isso acontece. Sentimentos de culpa, abandono e impotência aparacem em toda a trama, e o filme ainda passa pelo despreparo de muitos profissionais ao lidar com a família e pessoas próximas do paciente com Alzheimer. 
"Metade do tempo procuro por algo que eu sei que é pertinente e não consigo lembrar o que é. Quando a ideia desaparece, tudo desaparece. Fico tentando descobrir o que era tão importante antes. Talvez eu esteja começando a desaparecer."
O único ponto que me desagradou no filme foi o final. Achei fantasioso, gerador de uma série de preconceitos e reforçador da ideia de que "se você acredita e se esforça, tudo é possível". Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, cujo caminho só segue em frente, cada vez mais fundo, e ainda não tem cura, não se sabem as causas e pouco se pode fazer para tratar. É sempre importante ter isso em mente, com clareza, pois muitas famílias sofrem com a ideia de que podem fazer algo para salvar seus entes queridos. Em doenças desse tipo, é sempre possível fazer nosso melhor para que a pessoa possa viver da maneira mais digna possível, mas não dá pra fazer nenhum milagre, e nesse aspecto achei que o final do filme foi um verdadeiro desfavor. Apesar disso, ele tem um final aberto, então essa crítica fica bem restrita a minha interpretação do que acontece.
"- Que falta de sorte.
- Não. É a vida. Ninguém ganha da vida."
Quanto a aspectos técnicos, o filme é esteticamente lindo. A fotografia é bonita, e por tratar-se de um filme sobre lembranças, faz-se um jogo de imagens, idas e vindas, como se as memórias fossem se perdendo e se encontrando gradualmente. Apesar da narrativa não muito linear, o filme não confunde e segue um ritmo bem conciso e agradável. A trilha sonora é agradável, mas nada me chamou muito a atenção, então acho que não é nada de extraordinário - tanto para o bem quanto para o mal.
Por fim, não achei um filme deprimente. Acho que ele traz aspectos interessantes sobre a demência e sobre a vida das pessoas à volta daquela que adoece, como o luto, o seguir em frente com a vida, o cansaço, a apatia... O filme não traz nenhum heroísmo e todas as personagens são muito humanas, o que me agradou bastante. Com a ressalva do péssimo encerramento, vale totalmente a pena e recomendo fortemente. Vale comentar que, embora tocante, não é um filme chorável. Como diz muito bem a Marien, uma das personagens do filme: é a vida. Ela acontece, e não dá pra vencer dela, simples assim.

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