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Saudações, visitante! Neste momento, você se encontra no Hishoku no Sora, um blog pessoal sem fins lucrativos. Aqui se fala de tudo um pouco, então fique à vontade!
A versão atual é inspirada na música "We Don't Talk Anymore", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não.more?

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Precisamos falar de orientação profissional

... E sobre mais um monte de coisas, na verdade.
Saudações, caros leitores! Espero que estejam todos bem. 
O título do post de hoje talvez não faça muito sentido pra vocês, mas é algo que estudei (e fiz estágio) sobre e parece bem necessário nos nosso tempos. Orientação Profissional, pra quem não sabe, é uma área da psicologia que busca orientar as pessoas a escolher um profissão - bem óbvio, né non? Nessa área a gente costuma trabalhar principalmente com vestibulandos, porque na nossa sociedade as pessoas escolhem profissões junto com a inscrição do vestibular - a questão é que, quando a gente fala de profissão, falamos de muito mais coisas além de uma prova, uma carreira e um emprego.
Eu vou tentar ser sucinta, juro.
Inspirada por esse post da Helo, eu me peguei pensando em quantas pessoas simplesmente não sabem que profissão escolher. Particularmente, não passei muito por isso: aos 12 anos eu decidi que psicologia era a profissão que me deixaria menos entediada, então segui investindo nela. No fim calhou que eu tinha habilidades pra isso, além de gostar muito do curso, então acabei ganhando na loteria.
A expressão não tá errada não: eu tive é sorte. Por mais textão de facebook que isso possa soar, a gente vive numa sociedade capitalista. Isso é importante porque o capitalismo não é só um sistema econômico: ele é um sistema social, e tudo na nossa vida é atravessado por ele. Quando você é criança, as pessoas perguntam o que você quer "ser" quando crescer; no ensino médio, as pessoas perguntam que curso você vai "escolher" na faculdade; quando você está na faculdade, te perguntam quais seus "planos" pra depois dela, se já tem emprego, se vai prestar concurso...
Em suma: na nossa sociedade, que gira em torno do capital - e, logo, do mundo do trabalho - a nossa identidade fica ligada a nossa profissão. Você não faz pedagogia, você é professor. Eu não faço psicologia, sou psicóloga. E assim sucessivamente. É por isso que escolher uma profissão não é fácil: você não escolhe só um emprego, mas todo um "pacote" identitário, com estilo de vida, maneira de pensar, de vestir, de ser e agir. 
O fato é que: vivemos em tempos loucos. Isso nem é piada - a gente vive num período que alguns autores chamam de Pós-Modernidade, e ele tem nome porque ele é bem peculiar mesmo. Com os avanços da tecnologia, a gente acaba tendo muitos estímulos, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, gostando de muitas coisas ao mesmo tempo e não precisa escolher nada. Não entendeu? Calma que eu explico.
Imagine que você tem um celular - um smartphone, que é o que está em alta hoje. Você pode, ao mesmo tempo: ouvir música; conversar com seus amigos no whatsApp; ler um livro ou mangá em aplicativos de leitura; ficar de olho na hora pra não se perder no tempo - tudo isso em 5 minutos, esperando o metrô parar na sua estação.
Louco, né non?
Quando a gente vive em tempos nos quais se faz tudo junto e ao mesmo tempo, escolher uma carreira parece suicídio. E se eu não quiser ser advogado hoje? E se amanhã eu não quiser mais brincar de web design? E se de repente eu decidir que quero ir pra Ásia e virar monge?
Tudo isso está relacionado com a maneira que nossa sociedade tem funcionado. Certa vez vi uma entrevista (ou algo assim) de um cantor de MPB lamentando o fato de que as pessoas não conseguem ouvir uma música por mais de 3 minutos. Isso mesmo: algum aplicativo xis, tipo o Spotify (ou algo assim) fez um levantamento, e as pessoas pulam as músicas antes de terminar de ouvi-las. Não temos tempo pra perder - nem pra ouvir música. Nesse aspecto, não conseguir "escolher" é preocupante, porque a escolha vem com um um sentido de fechar um mundo de oportunidades. O meu ponto, com esse texto, é: não precisa ser assim.

Você não precisa fazer uma coisa só
O lado bom dos tempos pós-modernos é que dá, de fato, pra juntar uma série de coisas. Vamos supor, por exemplo, que você gosta de ler mangás. Ler mangás não é um emprego.
Contudo, você pode, por exemplo, fazer um curso de graduação em Letras. Nesse curso, todo aluno obrigatoriamente precisa escolher um idioma - comumente, Japonês é uma das opções. Supondo que você se graduou em Letras com especialização em Língua Japonesa, você pode ser professor de japonês - e usar mangás pra ensinar seus alunos de maneira mais divertida, prática e dinâmica. Ou, ainda, você pode trabalhar em uma editora, e traduzir livros de japonês pra português - ajudando a aumentar a circulação dessa cultura literária no nosso país. Ou, ainda, se você tiver contatos (ou só muito talento), você pode trabalhar em uma editora de mangás aqui no Brasil.
Esse é um exemplo muito básico, mas dá pra fazer isso com muita coisa. Eu sou formada em psicologia, e só pra que vocês tenham uma ideia, eu poso trabalhar com atendimento psicológico, aplicação de testes e avaliaçãoes (inclusive aquela pra tirar carta de motorista). Posso trabalhar em hospitais em qualquer área: atendimento com famílias, pacientes terminais, avaliação psicológica pré e pós procedimentos cirúrgicos, adoção, apoio da equipe média ou mesmo seleção de pessoal e RH. E acreditem: eu não falei 5% do que posso fazer na minha profissão.
Assim, você pode - e deve - tentar unir as coisas que gosta. Eu gosto de ouvir histórias, resolver mistérios e bater-papo. Também gosto de aprender coisas novas. Acabei indo parar na psicologia (e vá por mim, não estou nem um pouco arrependida).
Aliás, foram graças aos meus estudos sobre sociedade e processos de subjetivação que eu consegui escrever esse texto pra vocês. Psico está em tudo, pessoas!

Você não precisa fazer isso pra sempre
Talvez vocês nunca tenham ouvido falar em orientação profissional, porque conhecem outro termo: orientação vocacional. Lembraram? Talvez sim.
A questão é: hoje a gente não usa mais esse termo. Sabem por que? A palavra "vocação" vem de "chamado", e tem um sentido de "um chamado divino". O que isso quer dizer: que as pessoas têm uma profissão perfeita pra elas, que se encaixa perfeitamente em suas habilidades, gostos e talentos.
A verdade: isso é balela. Não acontece, não existe e ninguém vai achar a profissão perfeita. É por isso, inclusive, que os tais "testes vocacionais" não te dão uma profissão específica: eles te dizem qual área você aparenta ter mais interesses, pra que isso te ajude a guiar melhor suas escolhas.
Se não existe uma profissão perfeita e incrível pra você, o que acontece caso você não gostar da sua? É bem simples: basta trocar. Hoje em dia pouca gente começa e termina a vida no mesmo cargo, na mesma empresa e até na mesma área. Uma pessoa pode se forma em psicologia e trabalhar com cinema ou teatro. Pode se formar em matemática e descobrir que gosta de fazer música ou poesia. Pode fazer arte e descobrir que gosta de pintar casas. E tá tudo bem, isso não está errado.
Dado de realidade: a gente precisa de um emprego. Vivemos naquela sociedade capitalista que eu citei no início, que gira em torno do capital - significa, basicamente, que pra viver você precisa de grana. Mas precisar de grana não quer dizer passar o resto dos seus dias fazendo algo que não te faz feliz. Você precisa, sim, escolher, mas uma escolha não precisa ser pra sempre. Você pode escolher uma carreira na universidade, trabalhar numa outra área e ainda assim seu conhecimento lhe será útil! O que você precisa é de criatividade pra juntar todas essas coisas numa só - e olha, com a quantidade de cursos, vagas e profissões que existem hoje, difícil não encontrar alguma coisa.

Se conheça um pouco mais - se escute um pouco mais
Por fim, o mais importante é se conhecer bem, sempre. Não no sentido filosófico do termo, envolvendo meditação, viagens pra terra santa e os cinco elementos do seu chakra. Saiba quais coisas você gosta de fazer, quais você tem habilidade e talento e saiba quando algo te deixa satisfeito ou não. Se você tiver a mínima noção disso, fazer uma escolha profissional é bem mais fácil (e bem menos sofrido, diga-se de passagem). Você pode, inclusive, pedir ajuda - muitos psicólogos fazem orientação profissional, escolas e cursinhos às vezes têm um orientador profissional na equipe. Não tenha medo nem vergonha de fazer perguntas; procure grupos e projetos que falem do assunto, e se aventure um pouco!
Eu sei que o processo pra escolher uma profissão é muito sofrido em função de todas essas exigências sociais (meio malucas, aliás), mas não é impossível. Tome seu tempo, pense com calma, passe mais tempo consigo mesmo e se conheça melhor. Independente de qualquer coisa, é do seu plano de vida que estamos falando, e você tem o direito de escolher - ainda que seja pra quebrar a cara e aprender que algumas escolhas são ruins, o importante é que você possa lidar com consequências que você escolheu. A vida não é só flores, mas também não precisar ser só espinhos, não é mesmo?
Com isso, eu espero ter ajudado alguém a se sentir menos aflito, hahaha! Confesso que, em parte, pode ter sido um desabafo também - de alguém que não aguenta mais ver gente confusa sendo ainda mais confundida por aí. Um abracinho pra todos que estão fazendo escolhas em suas vidas e sigam em frente, caros leitores! O futuro não é uma dádiva - é uma construção nossa. ;)

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By Shana • quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017 • 7 ComentáriosLink to this post


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