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Saudações, visitante! Neste momento, você se encontra no Hishoku no Sora, um blog pessoal sem fins lucrativos. Aqui se fala de tudo um pouco, então fique à vontade!
A versão atual é inspirada na música "We Don't Talk Anymore", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não.more?

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Laços e Despedidas

Foi em 2012 que recebemos a notícia: passamos! 
Mas passamos numa cidade outra, a tantos e tantos quilômetros de casa. Num lugar que nunca pensamos em chamar de lar. Com 19, 20 anos, estávamos sendo jogadas na vida adulta - responsabilidade, problemas, questões de outra ordem, questões com as quais não sabíamos lidar. E o pior: daqui pra frente, lidaríamos sozinhas.
Quando as pessoas passam na faculdade em outra cidade, num geral pensam nas festas, na independência, na aventura, em curtir a vida longe dos pais. Mas se esquecem - muito facilmente - que, no dia que você acordar com cólica, não tem mamãe pra fazer carinho e compressa morna. Quando você adoece, não tem quem cuide de você e te leve ao hospital. Se você não lava e não cozinha, não tem roupa limpa nem comida na mesa. Sair da casa dos pais, ainda que pra morar com alguém, é abandonar todo um conforto e uma rede de apoio e cuidado pra se virar sozinho. Ficar sozinho.
É por isso que, quando estudamos em outra cidade, os laços são outros. Não são "os meus colegas", ou "os amigos da facul". Os amigos que fazemos, os laços que criamos, vão além dos rolês de sexta a noite e festas do pijama; além dos trabalhos em grupo e estudos pra prova; além do chororô sobre os boys magia e desabafos periódicos. Quando a gente estuda em outra cidade, não temos ninguém com quem contar além dos nossos amigos. É uma família. A gente leva uma à outra ao hospital. Dorme na casa da amiga quando ela precisa de cuidado ou não consegue dormir sozinha. Acompanha na delegacia da mulher quando precisa fazer boletim de ocorrência. Troca nomes de remédios, marca de produto de limpeza, ensina receitas e truques de faxina. O nosso rolê é ir juntas ao mercado pra fazer a compra do mês onde é mais barato. A gente conversa sobre preços de roupa, mas também troca preços de mercado e sabe qual feirinha vende os melhores legumes. Os laços são outros.
Quando a gente se despedir, não vai ser só uma festa de formatura com promessas de sair juntas no próximo fim de semana. Quando a gente se despede, cada uma volta pra sua cidade - pra sua família, que talvez não seja mais o lar onde você se sente de verdade "em casa". O lugar onde moramos por 5 anos é aqui - e foi aqui que crescemos, brigamos, choramos, rimos, criamos histórias pra contar e lembrar. Os melhores anos das nossas vidas foram juntas nessa cidade, onde não tem nada pra fazer além de comer, mas onde tinha a gente. Nossas casas. Nossas madrugadas regadas a comida e fofocas polêmicas. Nossas maratonas de filmes e noites de jogos. Nossa vida, nos últimos 5 anos, aconteceu aqui - e isso vai acabar pra sempre.
Não moraremos mais a 20 minutos de caminhada da casa uma da outra. Não podemos mais ligar pedindo socorro, ou dormir na casa uma da outra quando a coisa estiver feia. Maratonas de filme e rolês vão ficar restritos aos finais de semana, quando estiverem livres e se tivermos disposição pra isso. Não vamos mais no mercado fazer a compra do mês juntas, nem comparar os preços, nem dividir os remédios, nem sair pra perambular pela cidade de noite só porque queremos bater perna. Não vou poder mais perguntar "estão ocupadas? Vamos fazer alguma coisa", "Agora?", "É!", e não vamos tomar sorvete repentinamente porque não vamos mais morar no mesmo lugar. Não estaremos mais juntas da mesma forma. A nossa despedida, embora seja só uma nova maneira de viver nossos laços, é também um Adeus a tudo o que construímos nos últimos 5 anos.
Nossos laços vão mudar. Não sabemos como vai ser agora, mas muito do que vivemos não poderá mais ser vivido - agora é passado, é lembrança, é ontem, anteontem, há muito tempo atrás. O que o futuro nos reserva nunca é certo, mas corta o coração ver nosso presente virando passado. Corta o coração saber que não vai ter mais "O que eu vou vestir?", e "Passo na sua casa e te ajudo a escolher". Não terá mais "Faz chapinha no meu cabelo?" ou "Posso ir aí usar sua internet?". Não terá mais "Você conseguiu fazer o trabalho?" e "Vem em casa na terça e a gente faz isso juntas".
Corta muito o coração saber que juntas nós crescemos, aprendemos, criamos, construímos, e agora precisamos abandonar. Não porque a amizade se acaba, não porque não nos veremos nunca mais, mas porque agora será totalmente diferente. São as mesmas fitas, mas os laços serão outros, e a vida continua seguindo em frente sem esperar que estejamos prontas.
Por 5 anos, vocês foram minha família. Não de sangue, não de história, mas estiveram comigo quando ninguém mais podia estar. Foi com vocês que dividi as vitórias e perdas, os sorrisos e as lágrimas, e dessa vez não há ninguém que possa nos consolar. Escolhemos nossos caminhos, torcemos umas pelas outras, vibramos com cada conquista e desejamos o melhor. Talvez choremos. Mas não são lágrimas de tristeza - são de saudade, uma saudade antecipada de momentos que já não vão se repetir. Nossos laços não serão mais uma das pequenas coisas do dia-a-dia. A distância não é mais uma caminhada de 15 ou 20 minutos. E mesmo com o coração doendo, não teríamos feito nada diferente. Nós vivemos. Nós amamos. Nós construímos laços que são só nossos, de uma maneira única, que apenas as nossas circunstâncias poderiam permitir.
Encerro com gratidão. Obrigada por terem me ensinado tanto. Pelos abraços e pelas brigas fúteis, pelos surtos coletivos em época de prova, por dormirem na minha casa quando eu tive medo de dormir sozinha. Obrigada pela honra de dividir 5 anos de suas vidas comigo. Pelas discussões filosóficas, teóricas e pessoais. Pelas receitas compartilhadas, pelos aniversários celebrados, pelas memórias e por cada parte de mim que foi atravessada por vocês. Que venham outros momentos - outras vivências, outras maneiras de experimentar nossas relações. O que quer que o futuro nos traga, uma coisa é certa: o passado vai ser sempre nosso, e nada no mundo vai desfazer o que construímos nesses 5 anos. E quando a saudade apertar no peito e descer por nossos olhos, teremos um sorriso e a certeza: valeu a pena. Cada segundo. E não teríamos feito nada diferente.
You know it all, You’re my best friend
Morning will come again
Because no darkness and no season
Is eternal
BTS - Spring Day

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By Shana • quarta-feira, 1 de março de 2017 • 7 ComentáriosLink to this post


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