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A versão atual é inspirada na música "We Don't Talk Anymore", ilustrada por Jimin e Jungkook (BTS).

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Kawasumi Shana, 24 anos e contando +1 todo dia 7 de fevereiro - logo, sou toda aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não.more?

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Das coisas que ficam pra trás

É difícil achar as palavras certas pra expressar o que eu estou vivendo agora. Há 5 anos atrás, eu fiz uma escolha que mudou minha vida em muitos aspectos - eu abri minhas asas, abandonei minha casa, minha família, meus amigos e tudo o que eu conhecia para construir tudo de novo em outro lugar. E agora, 5 anos depois, eu abandono tudo de novo - os laços que teci, os espaços que ocupei, a rotina que eu criei. Saber que minha estadia nessa cidade tinha um prazo não me fez viver menos nela, e agora, enquanto olho para os meus pacotes, sentada em um colchão no chão, eu percebo que acabou.
Amanhã, a essa hora, estarei a saindo da cerimônia que oficializará esse término. Não sei se a ficha não caiu, ou se eu esperei tanto por isso que no fim, só me sinto tranquila. Talvez a ficha vá cair amanhã, quando eu estiver fazendo o juramento da minha profissão, ou ouvindo a oradora ler o discurso que ajudei a escrever. Talvez quando jogarmos os chapéus pra cima - ou mesmo antes, quando eu vestir a beca e perceber que acabou.
Demorei horas pra escrever só esse parágrafo - as palavras não vêm. Talvez eu só esteja mesmo anestesiada, ou, como disse minha terapeuta, ansiosa pelo novo. Como a boa aquariana desapegada que eu sou (porque, bem, eu preciso admitir que sou), minhas asas estão sempre abertas pra voar mais alto, mais longe, cada vez mais. Ainda assim, eu não consigo deixar de pensar nas coisas que ficam, porque elas ficam. Não se pode levar tudo consigo. Nessa cidade, que eu não posso mais chamar de lar, fica minha casa. Meus móveis agora são de outras pessoas, minhas caminhadas e os locais que frequentei com meus amigos ficam todos aqui, pra trás. Comigo vêm só as memórias, aquelas que eu guardei, aquelas que se gravaram em mim contra a minha vontade, aquelas das quais quero lembrar sempre. Comigo vêm as fotos, vêm alguns livros e textos, os presentes, e as roupas, mas todo o resto fica.
Apesar disso - desse texto sem pé nem cabeça, ou dessas circunstâncias loucas - eu não tenho medo. Não me sinto exatamente triste. Tudo isso é parte de um caminho que eu escolhi, e quando escolhemos um lado, temos que abandonar o outro. Não podemos ter tudo, e isso não quer dizer que perdemos tudo - ganhamos alguma coisa. Amanhã eu sairei da colação de grau como psicóloga, profissional, prestes a ver e viver o mundo de uma forma totalmente nova, e não consigo me lamentar pelas coisas que ficam. Elas ficam, mas elas são prova de que eu estive aqui. De que as criei, vivi e deixei irem embora quando necessário. E também, de certa forma, elas me deixam ir. Me permitem vivê-las intensamente, torná-las parte da minha vida e do meu mundo, e me permitem partir quando eu preciso. Sou inquieta, quase por natureza, e se abandonei meu lar, minha família e minha rotina aos 19 anos, nada me impede de fazer isso de novo aos 24. Mas tudo o que eu vivi, aprendi e presenciei faz parte de mim, e vai comigo aonde quer que eu vá.
Não podemos ter medo de voar. Não podemos ter medo de escolher um caminho. A vida não anda em linha reta, e se o caminho não for o certo, basta mudar o rumo no meio da viagem. O que a gente não pode é ficar parado no chão.
Voar, pra mim, é viver.

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By Shana • quinta-feira, 6 de abril de 2017 • 4 ComentáriosLink to this post


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