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The Beginning

"People should learn that you cannot dwell in your past. One who dwells in the past hurts not only himself, but also the people around them."

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Black Rabbit

Kawasumi Shana. 25 anos, somando +1 todo dia 07 de Fevereiro. Aquariana. Adoro música, mangás, animes, filmes e livros. Odeio insetos, injeções e filmes de terror, sou criativa e contraditória, possivelmente tenho um parafuso a menos - mas juro que sou legal. Ou não. more?

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Farewell

 
Hishoku no Sora
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Sobre o luto
Saudações, pessoal. Espero que tenham passado bem!
Primeiramente, eu queria agradecer a todo mundo que parabenizou o Hishoku no último post - é uma das poucas coisas que me convenceu a não largar esse blog nesses tempos.
Em segundo: se você tiver a vontade de comentar esse post com mensagens "positivas", dessas que falam pra parar de pensar "negativo" e "seguir em frente", só não se preste a esse papel, ok? Eu não tô boa pra lidar com esse tipo de superficialidade agora.
Quem acompanha o Hishoku deve ter percebido que o ritmo do blog está mais do que parado. Também não tenho feito comentários no blog de ninguém e tenho participado pouco das coisas. Saibam, logo de início, que não é só aqui. Minha vida tem sido um grande nada, muito próximo do vazio enorme com o qual eu estou lidando - é, esse mesmo, o vazio que ficou no lugar que meu pai ocupava.
Não acho que ninguém deva saber muito sobre o Luto. É uma coisa que, a princípio, era uma norma social - e se usava um certo tipo de roupa, deixava-se a casa num determinado jeito, portava-se socialmente de certa maneira. Hoje, luto é o processo pelo qual a gente passa ao lidar com a perda de alguém. É um processo delicado porque, ao contrário da crença popular, a gente não supera a morte de alguém; a gente se acostuma com ela.
O luto é olhar constantemente pra um espaço vazio onde antes tinha alguma coisa. Uma coisa especial, importante, insubstituível. Não tem nada no mundo que se encaixe nesse vazio, então a gente precisa ir se acostumando com essa ideia de que ele está ali pra ficar, e que vai fazer parte da gente pra sempre. Tem, sim, as memórias boas, os bons momentos, mas o luto é muito mais do que "ele vai sempre estar vivo dentro de você" e "pelo menos você teve bons momentos com ele".
O luto é uma merda.
E ele mobiliza toda a sua vida. Falta um pouco de vontade pra fazer tudo, e às vezes eu fico com essa sensação de que ao seguir em frente, estou deliberadamente deixando meu pai pra trás. Meu pai, que apesar de todos os nossos problemas, era alguém que eu amava (e amo) muito. 
Cada segundo é difícil. Fazer alguma mudança, fazer algo que eu goste, ir a algum lugar que eu nunca fui, aproveitar os pequenos prazeres da vida, essas coisas todas - elas são difíceis. É difícil seguir vivendo quando a vida do meu pai foi tirada dele, e também de mim, que não posso mais vê-lo, não posso mais ouvir a voz dele, não posso mais contar o que aconteceu na semana pra ele. Meu pai não existe mais, e fazem 4 meses e 6 dias que eu estou tentando me acostumar com isso. Não, não é nada fácil. Menos ainda quando todo mundo à sua volta fica esperando você melhorar e acha estranho que eu passe as minhas folgas do trabalho dormindo.
(Não que ser psicóloga seja fácil, mas agora está sendo especialmente difícil, se é que me entendem).
Então a verdade por detrás desses layouts que não mudam, dos posts que eu prometo e nunca aparecem - embora eu tenha tentado fazê-los todo dia -, da faxina do Together que eu deixei de lado, é essa. Eu estou mentalmente, emocionalmente e fisicamente exausta, e eu não tenho vontade de fazer nada. Eu não quero cuidar do blog, nem escrever, nem comentar, nem conversar, e minha vida só não é literalmente um grande nada porque trabalho e tenho terapia, coisas que me tiram de casa independente de eu querer ou não sair. Eu estou tentando, mesmo, fazer algo produtivo, algo divertido, mas na maior parte do tempo eu só não tenho vontade. E minha terapeuta tá sempre dizendo que eu estou passando pelo luto - e eu não sei o quão a sério eu levei o fato de que não, não existe tempo para o luto passar. Ele pode muito bem durar anos e anos, e ser complicado, como diz Winnicott, mas a gente tem que vivê-lo. É um momento, que pode ser muito longo ou curto, e não deixem que ninguém diga que é uma doença. Eu preciso me acostumar com os 24 anos de amor e lembranças que foram tirados de mim pelo ciclo da vida; ninguém devia esperar que ia ser rápido.
Eu tô tentando, gente. Então perdoem aí o vacilo e não desistam de mim (por enquanto). Fica aqui um desabafo pra ver se pesa um pouco menos no meu peito, e esse aviso, porque eu não quero ninguém pensando que eu vou desaparecer nem nada. Só não está sendo fácil mesmo.
Beijos pra quem leu, força pra enfrentar o dia e que a vida seja mais suave pra vocês essa semana!

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Written by Shana | 12 de abril de 2018 | 3 Comentários | link to this post


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