Posts Shana Blog Links
welcome
Saudações! Seja bem-vinde ao Hishoku no Sora, um espacinho virtual onde há 20 anos escrevo sem pretensão alguma - e agora sem compromisso também, risos. Se essa for sua vibe, sinta-se em casa (as lembre-se que não está)!

webmiss
Kawasumi Shana, nascida em 07 de Fevereiro '93. Gosto de fazer rolês gastronômicos por SP, gastar tempo fazendo nada e comprar mais washi tapes do que o necessário. Organizo a vida em planilhas, sou muito criativa (porém cansada), mais sarcástica do que é humanamente aceitável e a cada ano que passa fico ainda mais introvertida e antisocial, risos.
{ mais? }

labels

archive

goodbye

follow this blog

I'm into that, I'm good to go
I'm diamond, you know I glow up

Resenha: The Babadook
O Halloween está chegando, e nada melhor que ir entrando no clima do terror e das trevas, não é mesmo?
Embora eu tenha dito diversas vezes aqui que eu odeio filmes de terror, a resenha de hoje é justamente desse gênero. O mundo é esse lugar maravilhoso onde as coisas mais loucas acontecem, não é mesmo? Mas acalmem-se, para tudo há uma razão: o filme foi exibido no cine da faculdade, eu estava super curiosa quanto ao enredo graças à Erika - além de que uma professora que eu adoro e admiro muito foi a debatedora do filme, então eu precisava ir. Vejam bem, foi mais forte que eu.
Assistir a esse filme foi uma experiência de puro terror mesmo (já que eu sou cagona pra caramba), mas a história é tão, tão boa que eu preciso resenhar aqui pra vocês!


Ano: 2014
Direção: Jennifer Kent
Duração: 94min

Bom, The Babadook conta essa história de uma mãe solteira e seu filho, que tem uma série de problemas comportamentais. Amelia é mãe solteira, e o garoto, Samuel, parece ter um medo de monstros bem fora do comum, o que transforma a vida dela em um inferno - o guri dá problemas na escola, não dorme e consequentemente não deixa sua mãe dormir, entre uma série de outras coisas. Na tentativa de acalmá-lo, ela costuma ler livros pra ele antes de dormir, contudo, a situação parece sair ainda mais do controle quando eles encontram um livro infantil chamado "The Babadook", com umapegada meio assustadora.
The Babadook não é o tipo de terror que abusa de imagens fortes e músicas típicas - na verdade, não é um filme onde você fica levando susto o tempo todo, ou onde morre gente o tempo todo. Trata-se de um terror psicológico, e se encaixa tão bem no gênero que não tem outra expressão pra descrevê-lo. Os movimentos da câmera, jogos de luzes e ruídos dão todo um aspecto de realidade ao filme, e eu diria que isso assusta mais do que ter um monstro transfigurado matando adolescente numa casa ou sei lá. Conforme o tempo passa, a situação vai ficando desesperadora, e você se vê em desespero, sem se mexer ou respirar. É o típico filme pra te deixar sem dormir (ou, ao menos, olhar com outros olhos pra ruídos dentro do guarda-roupa ou e baixo da cama).
A partir daqui, teremos spoilers. Eu sempre evito, mas dessa vez achei necessário.
Quando a Erika resenhou (e quando eu disse pra ela que assisti), ela me disse que odiou o Samuel - e eu acredito que ele seja bem insuportável mesmo. Mas analisando o filme do ponto de vista psicológico, The Babadook ilustra uma coisa: a loucura da Amelia, que acaba se refletindo no filho enquanto ela tenta parecer uma pessoa normal na sociedade normativa. Segundo minha linda professora, o Babadook na verdade é esse luto não elaborado, muito sofrido, da personagem, que toma a forma de um monstro que ela precisa enfrentar - e no fim, ele continua não-elaborado ao término da história, pois ela o coloca "no porão" da casa (que podia muito bem ser uma analogia da mente dela, então imaginem o drama).
Outra teoria que minha professora trouxe, e eu achei fantástica, é que a Amelia é escritora de livros infantis. Então, muito provavelmente, foi ela mesma quem escreveu o livro, ele não "apareceu" na casa. Mesmo no momento em que o livro reaparece na porta, todo colado, e conta a história que vai se desenrolar, podemos facilmente identificar os desejos da personagem ali. Se eu fosse analisar isso, eu diria que essas coisas "sem explicação" acontecem durante seus surtos psicóticos - que ela, claro, não lembra, então eles obviamente não aparecem.
No fim, o personagem chave do filme acaba sendo o Samuel, que tem a função de conter a mãe em sua loucura - e no fim, ele faz isso o tempo todo, mesmo nos seus momentos de birra. Eu percebo a Amelia como uma pessoa apagada, em transe, que se desliga da vida, e é o Samuel quem a faz agir, fazer alguma coisa, ainda que seja chorar pro médico e pedir remédios pro garoto dormir. Isso só fica claro quando o Babadook chega na casa, e Samuel tenta salvá-la o tempo todo - quando ele diz que vê o Babadook e pede pra mãe "não deixá-lo entrar", ele está nitidamente se referindo a esse luto, essa depressão, esse monstro que já está dentro dela e o garoto está realmente tentando salvá-la. Mesmo nos momentos finais, quando ele aparece com todo um arsenal e faz umas loucuras pra tirar o Babadook da mãe, isso é nitidamente a forma que ele aprendeu a amar e proteger alguém - gente, o garoto tem problemas, mas ele tem uma mãe psicótica. Eu não esperaria menos.
Aqui os spoilers acabam. Por fim, eu quero destacar a atuação absolutamente incrível dos atores principais que, meu deus, é um show à parte. Tanto o garoto que interpreta o Samuel quando a mulher que faz Amélia conseguem fazer caras, bocas, expressões e gestos que contribuem para a montagem do filme, e acho que outras pessoas não teriam encarnado isso melhor. Pra terminar, eu - por mais absurdo que isso soe pra vocês, e está soando pra mim, eu garanto - recomendo o filme pra todos que curtem uma história angustiante e assustadora - ou para aqueles que querem dar uma espiadinha nos terrores que habitam a mente humana em situações desesperadoras como a do filme, porque garanto pra vocês que é bem assim que funciona. 

Marcadores: ,


By Shana • 25 de outubro de 2015 • 3 ComentáriosLink this post

older home newer