Posts Shana Blog Links
welcome
Saudações! Seja bem-vinde ao Hishoku no Sora, um espacinho virtual onde há 20 anos escrevo sem pretensão alguma - e agora sem compromisso também, risos. Se essa for sua vibe, sinta-se em casa (as lembre-se que não está)!

webmiss
Kawasumi Shana, nascida em 07 de Fevereiro '93. Gosto de fazer rolês gastronômicos por SP, gastar tempo fazendo nada e comprar mais washi tapes do que o necessário. Organizo a vida em planilhas, sou muito criativa (porém cansada), mais sarcástica do que é humanamente aceitável e a cada ano que passa fico ainda mais introvertida e antisocial, risos.
{ mais? }

labels

archive

goodbye

follow this blog

I'm into that, I'm good to go
I'm diamond, you know I glow up

Filme | Away from Her
O filme Away From Her conta a história de Grant e Fiona. Casados há 44 anos, a vida a dois começa a deteriorar lentamente com as pequenas confusões, esquecimentos e mudanças no comportamento da esposa. Buscando uma opinião médica, vem o diagnóstico: Doença de Alzheimer. Quando a situação começa a se agravar, Fiona decide que o melhor, tanto para ela quanto pra Grant, é a internação em uma clínica especializada.
Away from Her é um filme lento, plano, mas tocante de várias maneiras. Todo filmado num clima invernal, traz mesmo a sensação de frio, congelamento e dormência, o que achei muito poético para retratar o Alzheimer, uma doença que descaracteriza as pessoas conforme esquecem sua própria história.
Acompanhei por dois anos uma cuidadora de uma senhora com Alzheimer, e garanto que o filme não passa nem perto do real sofrimento e problemática da doença. Mas ele retrata de maneira muito bela e sensível o sofrimento de ter alguém que você ama cada vez mais distante, descaracterizado, e de como é difícil continuar seguindo a vida quando isso acontece. Sentimentos de culpa, abandono e impotência aparacem em toda a trama, e o filme ainda passa pelo despreparo de muitos profissionais ao lidar com a família e pessoas próximas do paciente com Alzheimer. 
"Metade do tempo procuro por algo que eu sei que é pertinente e não consigo lembrar o que é. Quando a ideia desaparece, tudo desaparece. Fico tentando descobrir o que era tão importante antes. Talvez eu esteja começando a desaparecer."
O único ponto que me desagradou no filme foi o final. Achei fantasioso, gerador de uma série de preconceitos e reforçador da ideia de que "se você acredita e se esforça, tudo é possível". Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, cujo caminho só segue em frente, cada vez mais fundo, e ainda não tem cura, não se sabem as causas e pouco se pode fazer para tratar. É sempre importante ter isso em mente, com clareza, pois muitas famílias sofrem com a ideia de que podem fazer algo para salvar seus entes queridos. Em doenças desse tipo, é sempre possível fazer nosso melhor para que a pessoa possa viver da maneira mais digna possível, mas não dá pra fazer nenhum milagre, e nesse aspecto achei que o final do filme foi um verdadeiro desfavor. Apesar disso, ele tem um final aberto, então essa crítica fica bem restrita a minha interpretação do que acontece.
"- Que falta de sorte.
- Não. É a vida. Ninguém ganha da vida."
Quanto a aspectos técnicos, o filme é esteticamente lindo. A fotografia é bonita, e por tratar-se de um filme sobre lembranças, faz-se um jogo de imagens, idas e vindas, como se as memórias fossem se perdendo e se encontrando gradualmente. Apesar da narrativa não muito linear, o filme não confunde e segue um ritmo bem conciso e agradável. A trilha sonora é agradável, mas nada me chamou muito a atenção, então acho que não é nada de extraordinário - tanto para o bem quanto para o mal.
Por fim, não achei um filme deprimente. Acho que ele traz aspectos interessantes sobre a demência e sobre a vida das pessoas à volta daquela que adoece, como o luto, o seguir em frente com a vida, o cansaço, a apatia... O filme não traz nenhum heroísmo e todas as personagens são muito humanas, o que me agradou bastante. Com a ressalva do péssimo encerramento, vale totalmente a pena e recomendo fortemente. Vale comentar que, embora tocante, não é um filme chorável. Como diz muito bem a Marien, uma das personagens do filme: é a vida. Ela acontece, e não dá pra vencer dela, simples assim.

Marcadores: ,


By Shana • 28 de janeiro de 2017 • 9 ComentáriosLink this post

older home newer